10. Espíritos da Natureza

Conforme os mitos, os povos celtas consideravam a natureza como um princípio sagrado. Além do culto que prestavam aos Deuses e aos antepassados, cultuavam também as árvores, as fontes, as pedras e os seres sobrenaturais, conhecidos como espíritos da natureza.

No Druidismo não existem “elementais”, como são conhecidos na magia ritualística e cerimonial, associados aos quatro elementos, de origem grega. Na visão druídica moderna, conforme já referimos anteriormente, o mundo é composto por Três Reinos: o Céu, que está acima de nós e representa a luz, o fogo e os Deuses; o Mar, que está no horizonte e representa o Outro Mundo, a água e os Ancestrais; e a Terra, que está abaixo de nós e representa as raízes, o solo e os Espíritos da Natureza.

Para entender de onde vêm esses seres, devemos olhar atentamente para aqueles que são encontradas na mitologia céltica. Apesar de muitas outras culturas e civilizações possuírem suas próprias versões sobre as fadas e outros seres sobrenaturais, como os elfos, por exemplo, a crença das fadas entre os irlandeses, veio através da retirada da Tuatha Dé Danann para o Outro Mundo, após terem sido derrotados pelos Milesianos, os Filhos de Mil Espáine, os últimos invasores da Irlanda.

Depois de um acordo entre eles, os Dananns passaram a habitar as colinas do subterrâneo, um mundo paralelo ao nosso conhecido como “Aes Sídhe” que significa “O povo dos montes”, o povo nobre ou os bons vizinhos, considerados como os antigos ancestrais, os espíritos da natureza ou os próprios Deuses, que um dia habitaram a terra. E que nos leva a uma profunda ligação ao nosso totem ancestral.

Por vezes, são tidos como espíritos guardiões que habitam uma colina, uma árvore ou um determinado local próximo às fontes de água, onde oferendas são feitas para se manter a paz. Os seres feéricos – que geralmente, são associados às fadas – podem ser vistos ao anoitecer e no amanhecer, considerados momentos especiais, assim como nos grandes Festivais Celtas, onde os mundos se encontram: Samhain, com a entrada do inverno e Beltane, com a chegada do verão.

Há muitas lendas em torno deste tema que, além de fascinante, nos remete a vários contos celtas, incluindo os mitos arthurianos, onde as fadas estão bem representadas na figura de Morgana Le Fay, a meia irmã de Arthur e Nimue, a Dama do Lago.

A Deusa irlandesa Morrighan, descrita no ciclo mitológico, evoca toda a magia da fada Morgana do conto arthuriano. A analogia com Morgana é evidente, pois ela e as suas companheiras de Avalon possuem o mesmo dom de se metamorfosearem. E por que Morrighan, a grande rainha, não havia de reinar nesta terra abençoada, repleta de seres feéricos?

Este é um tema envolvente que nos conduz pelas brumas da magia, fazendo-nos perceber que ainda há muito para se aprender e vivenciar. A meditação e o trabalho “xamânico” possibilitam o aumento da percepção dos limiares do Outro Mundo e, consequentemente, o contato com essa energia maravilhosa que caminha tão próxima a nossa, conquistando assim a confiança destes seres. Lembrando que nem todos esses seres são amistosos. Fica a dica!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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