13. Inspiração

A inspiração é a “expressão poética da alma” em plena sintonia com o Outro Mundo. Tal como o gênio que se revela através de uma composição artística, exteriorizando toda a força da criação divina. É o princípio da vida que ilumina o conhecimento e nos traz à sabedoria.

Este encantamento está associado ao fluir da criatividade, normalmente, influenciado por um poder sobrenatural, que se apresenta em todos os setores da nossa vida, impulsionado o ser aos nobres feitos, além de proporcionar uma satisfação incomum de realização pessoal, que contagia o ambiente.

A iluminação espiritual ou os três raios da iluminação (/|\) é o espírito que flui. Para os irlandeses, é conhecida como “Imbas”, a Inspiração Poética ou o Fogo na Cabeça, tal como a “Awen” dos galeses, um frenesi promovido por estados alterados da consciência, geralmente, alcançados através da meditação e de práticas xamânicas ou de druidaria. Também pode ser o mergulho na noite escura da alma.

A arte do bem falar está intimamente ligada às métricas de um belo poema que, com seus versos cantados, nos remete aos Bardos ou “Fili” da Irlanda. Amergin é um dos exemplos clássicos da manifestação poética e mágica, existentes no Druidismo.

Outro exemplo, como os bardos e poetas reverenciavam o conhecimento místico, pode ser encontrado nos antigos contos galeses do Mabinogion, que relata como Gwyon Bach alcançou a Awen através dos dons do conhecimento, profecia e poesia, depois que sorveu, acidentalmente, três gotas da poção mágica de Cerridwen, no Caldeirão da Inspiração.

Como dizem, o coração apaixonado se comunica com os Deuses e a poesia pode ser considerada sua representação máxima, como escreve o poeta irlandês John O’Donohue… “A arte é a poesia da alma.”

Finalizo com uma tradução livre, do belo poema de William Butler Yeats – poeta e dramaturgo, fascinado pela temática céltica e um dos responsáveis pelo renascimento literário irlandês, no final do século XIX.

A Canção de Aengus Delirante

“Saí para colher à madeira da aveleira,
Pois a minha mente estava em frenesi,
Cortei e limpei uma varinha de avelã,
Apanhei uma baga, curvando o seu fino ramo;
Quando as mariposas brancas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, piscando intensamente,
Lancei as frutinhas, como gotas em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.

Quando a coloquei no chão,
Soprei o fogo para reavivar suas chamas,
Alguma coisa se moveu e pude ouvir seu farfalhar,
Alguém me chamou pelo o meu nome:
Uma jovem apareceu, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos;
Quem me chamou pelo meu nome,
Correu e desapareceu no ar, com um brilho forte.

Embora, seja eu um velho cansado de vagar
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Vou descobrir o lugar para onde ela se foi,
Beijar os seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos na grama e nos campos floridos,
Ficaremos juntos, até o tempo no fim dos tempos,
Colhendo as prateadas maçãs da Lua,
E as douradas maçãs do Sol.”

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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