17. Ética

Na minha opinião, a ética caminha junto com o bom senso, principalmente, no Druidismo, onde os princípios de verdade, honra e lealdade são vistos como deveres naturais da mais alta estima.

Nossa visão de mundo e nossas crenças estão centradas no respeito à natureza e aos seres viventes, numa total relação de amizade e igualdade para com todos os semelhantes. Parece até meio utópico, mas quando as almas se assemelham, naturalmente, há uma interação entre elas. O caminho druídico é o elo que nos une durante essa jornada. Para os antigos, a ética estava centrada na busca de valores que visavam o bem-estar da tribo e do clã no geral.

O que define a ética no Druidismo moderno é o reconhecimento destes valores em nós. “A amizade é sempre um ato de reconhecimento.” Como bem disse John O’Donohue, no livro Anam Cara – O livro de sabedoria Celta, onde cita que Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) dedicou várias páginas de suas reflexões à ética na amizade, considerando-a um desdobramento natural da moral para o convívio harmonioso do ser humano na sociedade.

A ordem druídica ADF, pela qual tenho grande admiração, se baseia na busca semântica de nove virtudes, que nos fazem refletir sobre a importância de se viver em conformidade a esses princípios. Os reconstrucionistas celtas também buscam inspiração nas “Nove Virtudes” e que são: Verdade, Honra, Justiça, Lealdade, Coragem, Generosidade, Hospitalidade, Força e Perseverança.

Costumo dizer que tudo na vida se baseia no equilíbrio das forças e, tanto a falta, como o excesso, são extremamente prejudiciais. Este equilíbrio está presente em cada uma dessas virtudes, que é associada as mais variadas formas de atividades do homem. Alguns textos irlandeses são bem específicos sobre essa visão e os ensinamentos éticos, como por exemplo, As Instruções do Cormac; onde Cairbre pergunta ao seu avô Cormac como ele deveria se comportar entre sábios e tolos. A seguir um trecho da citação:

“- Ó Cormac, neto de Conn – disse Cairbre – desejo saber como devo comportar-me entre os sábios e tolos, em meio aos amigos e estranhos, entre os jovens e os velhos, em meio aos inocentes e perversos.
– Não é difícil dizer – falou Cormac.
– Não sejas muito douto, não sejas muito néscio,
Não sejas muito presunçoso, não sejas muito acanhado,
Não sejas muito orgulhoso, não sejas muito humilde,
Não sejas muito falador, não sejas muito silencioso,
Não sejas muito rígido, não sejas muito débil.
Se fores muito douto, esperar-se-á muito de ti.
Se fores muito néscio, serás enganado.
Se fores muito orgulhoso, acreditar-te-ão molesto.
Se fores muito humilde, serás sem honra.
Se fores muito falador, não te darão atenção.
Se fores muito silencioso, não serás estimado.
Se fores muito rígido, serás quebrado.
Se fores muito débil, serás esmagado. ”

Por fim, em um mundo tão caótico no qual vivemos atualmente, resgatar esses princípios se torna essencial e até mesmo imprescindível para tentar se viver plenamente e em paz.

Honrando a Mãe Terra através das Nove Virtudes:

Mãe Terra, abençoai as sementes da esperança,
Para que a nossa adoração seja verdadeira,
Para que as nossas palavras tenham honra,
Para que as nossas ações sejam justas.

Mãe Terra, abençoai as sementes da esperança,
Para que a nossa dedicação seja leal,
Para que a nossa coragem seja constante,
Para que o nosso amor seja generoso.

Mãe Terra, abençoai as sementes da esperança,
Para que em nossos corações haja hospitalidade,
Para que o nosso caminhar seja sempre forte,
Para que o nosso viver seja firme e perseverante.

Mãe Terra, aceitai nossa eterna gratidão. Que assim seja!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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