18. Ciência e Filosofia

Penso que a ciência e a filosofia caminham juntas. E, do ponto de vista da metafísica, a filosofia constitui as raízes fortes da árvore do saber, a ciência o tronco e a ética os ramos principais.

No que se refere ao Druidismo antigo, Pomponius Mela, geógrafo romano do século I, chamava os druidas de mestres da sabedoria que, além da função sacerdotal, exerciam a função de conselheiros, professores e filósofos. Eram eles os responsáveis pelas cerimônias religiosas, pelos rituais em geral e por todos os julgamentos proferidos na tribo.

Os druidas exerciam um papel importantíssimo nas sociedades celtas em que estavam inseridos. Ensinavam sobre a ciência natural e a filosofia moral, sendo considerados como homens sábios e justos; as suas práticas jurídicas foram descritas como princípios vistos neste estudo sobre as “leis célticas”. A capacidade intelectual dos druidas era comparada com a dos magos da Pérsia, os brâmanes indianos e a muitas outras classes instruídas da época.

Apesar deles não existirem em todas as tribos celtas e sua verdadeira origem ainda ser considerada um mistério, há uma série de elementos nos relatos greco-romanos e nos achados arqueológicos que nos dão pistas sobre suas práticas religiosas, ligadas a ciência e filosofia, como por exemplo, a imortalidade, onde a alma não morre e depois da morte, ela passa de um corpo para outro, conhecido como metempsicose. Bem como a observação do movimento das estrelas, dos planetas e das leis da natureza.

Diógenes Laércio, historiador e filósofo grego, conservou a máxima atribuída a uma tríade druídica que dizia: honrar os Deuses, não causar dano a ninguém e ter coragem.

Essa filosofia é associada à ideia de paz. Os antigos escritores clássicos, como Júlio César e Diodoro Sículo, relatam que mesmo os druidas sendo isentos do serviço militar e de ir à guerra, por vezes eles pacificavam as tribos guerreiras, passando entre as fileiras inimigas para pedir a paz e apaziguar os exércitos. Os druidas eram considerados os intermediários entre os Deuses e o homem – ninguém podia realizar um ato religioso ou algo dessa magnitude sem a sua assistência.

Mas qual a importância destes fatos atualmente?

Para responder a pergunta, busco inspiração nas palavras do Druida Philip Carr-Gomm:

“Ao examinar os papéis do druida como juiz e professor, conselheiro de reis e rainhas, cientista e alquimista, é preciso lembrar que por trás de cada uma dessas funções havia o coração de um filósofo, extremamente preocupado com o significado e o propósito da vida na Terra. A filosofia dos druidas foi influenciada pelo pitagorismo, assim podemos começar a construir um retrato bastante abrangente da filosofia destes sábios da floresta… Silenciosamente, o Druidismo cresceu e evoluiu constantemente ao longo dos séculos – no seu modo de absorção ou sobre muitas outras influências. O grande problema da civilização moderna foi que a humanidade se tornou alienada a terra e os ciclos sazonais e agrícolas. Além disso, uma compreensão do valor da mitologia tinha sido perdida. Na última década, o Druidismo foi influenciado por ideias e filosofias de movimentos holísticos e ambientais, de modo que ao lado de suas preocupações com a busca da sabedoria e a união com a divindade, através da proteção do mundo natural, com o desenvolvimento de tecnologias, atitudes e estilos de vida que promovam a harmonia, ajudando novamente a humanidade a reconectar-se com a natureza e os Deuses.”

Que assim seja!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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