19. Magia

Magia versada, encantamento, fascinação ou simplesmente, magia natural. “Os bardos e druidas cantavam os contos acompanhados de instrumentos semelhantes a uma lira, seus poderes mágicos tinham efeitos sobre amigos e inimigos.” Porque encantar também faz parte da natureza!

Tal como a magia nórdica cantada, o “galdar” (encantamento), onde buscamos desvendar os mistérios do fogo (que nunca deixarão de ser um mistério), a visão muito além da percepção comum. Talvez, nos augúrios do canto de um pássaro, a direção do vento ao anunciar a chuva ou no simples movimento das nuvens no céu. E quem saberá ao certo o que está oculto pelas brumas do tempo?

Muitos ensinamentos estão contidos num sopro de inspiração que nos revelam caminhos nunca imaginados, conectando-nos sutilmente ao chamado da alma e do coração, sejam eles transmitidos através da Awen, Imbas ou da busca do Graal, como descrita nos mitos arthurianos.

Os manuscritos relatam que os druidas eram considerados os mestres da magia, faziam encantamentos quando necessário e provocavam um sono mágico nos inimigos, possivelmente hipnótico. Outra habilidade era produzir névoas misteriosas para mudar de aparência ou se esconder, arte conhecida como “féth fiada”. As suas habilidades estão presentes por todos os mitos celtas, comprovando o quanto a magia fazia parte do seu mundo.

O universo irlandês, por não ter sido dominado pelos romanos, foi o que melhor conservou as lendas celtas, o folclore e a magia feérica. Diz a lenda que as Tuatha Dé Danann chegaram à Irlanda no início do mês de Maio, na época de Beltane, vindos numa nuvem mágica. Contam que vieram “das ilhas do norte do mundo”, provenientes de quatro cidades míticas: Falias, Gorias, Findias e Murias, de onde trouxeram quatro dons, algo como talismãs, que eram: a pedra do destino “Lia Fáil”; a lança invencível “Gáe Assail”; a espada mágica de Nuada e o caldeirão mágico de Dagda.

Enfim, poderíamos citar inúmeros exemplos sobre a magia presente nos mitos celtas, mas a maior magia de todas, com certeza, está lá fora entre as árvores dos bosques, nas colinas do sídhe, nas montanhas, nos rios, nas cachoeiras ou nas ondas do mar.

Ao vivenciarmos a magia ou a druidaria e suas formas de conexão com a natureza, seja através dos festivais ou das luas do ano, estaremos assim reequilibrando, novamente, a nossa energia. Em muitas tradições druídicas modernas as Celebrações de Lua Cheia ou Lua Nova são comemoradas conforme o Calendário Coligny, um calendário lunisolar que demarca a parte clara e escura do ano.

Podemos dizer que a magia seria a primeira religião empírica do homem e que ao ser utilizada sabiamente, as forças da natureza causariam mudanças benéficas ao seu entorno. Essas forças são personificações dos Deuses que, ao sintonizar-se a Eles, se torna a base que permeia o caminho entre luz e sombras, a nossa jornada druídica entre o bardo, vate e druida.

Que a inspiração nos guie, sempre… Awen!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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