22. Família/Amigos

A família é a base do clã, irmãos de sangue ou por afinidade espiritual. Ao longo do tempo vamos nos dividindo entre novas amizade e as que se formam durante a jornada, mas os laços que nos unem aos ancestrais de sangue são como elos fortes que nunca se perderão.

Muitas vezes me deparei com questões religiosas dentro da família que, por sua diversidade de opiniões, diferiram em muitos pontos. O respeito é a base para que se possa conviver em paz com todos, e seja qual for a questão, quando se trata de algum ente querido que faz a passagem para o Outro Mundo, as barreiras religiosas caem por terra. Acredito que seja esse o fator que nos mantém unidos, além dos laços de amor e da amizade que flui entre o passado e o presente familiar.

O Druidismo preza a ética e a tradição familiar. Para os celtas a família era uma questão de honra. Os amigos são a extensão da família, laços que se fortificam através dos princípios da lealdade. Atributos que nem sempre são respeitados nos dias de hoje, infelizmente!

A cultura céltica tem uma visão poética de amor e da amizade, seja entre amigos ou familiares. Os mitos nos inspiram ao amor da alma, que em gaélico antigo é “Anam” e quer dizer alma, e “Cara” que significa amizade. Assim, o “Anam Cara” no mundo celta seria o amigo espiritual. Esta concepção da alma celta não impõe limitações de espaço e tempo. A alma não está presa. É como uma luz divina que penetra em você, estimulando um companheirismo profundo e especial.

Nesta concepção moderna, há uma busca em torno do “Anam Cara”, o amigo da alma. Este amor o aceita como você é naturalmente, sem máscaras ou pretextos. Um tesouro inestimável de entendimento, autoconfiança e de proteção sobre a alma do outro. A amizade é sempre um ato de reconhecimento, onde há um despertar, uma sensação de reconhecimento e afinidade mútua de natureza mágica, uma vibração boa no peito. Como descreve o escritor e teólogo John O’Donohue, no livro “Anam Cara”.

Em gratidão aos amigos da alma e do coração, “Anam Cara” de hoje e de outros tempos:

Sagrada Inspiração

Awen, a inspiração sagrada,
Que ao sorver das tuas bênçãos
Num frenesi de emoções,
Uniu as tribos durante a jornada

Bardos compunham um som delirante,
Onde ecoavam vozes de almas antigas,
Fluindo entre as espirais da vida
Em plena energia revigorante

O sonho que nos conduz entre os véus,
Seres mágicos, nobres feéricos dos montes
Apresentam-se diante do crepúsculo
Reverenciando a terra e os céus

Será o bosque sagrado centrado em nós?
Sensações entrelaçadas pelos reinos,
Despertam a tal esperança do amanhecer
Propagando seu ritmo intenso e veloz

Chama que aquece e acalenta os corações,
Os Deuses, ancestrais e espíritos da natureza,
Ultrapassam a névoa de prata e tornam-se orvalho
Embevecidos na essência de suas ações

Guerreiros, que a luta seja pela paz
E a nobreza perdure na verdade
Fincando suas espadas no chão
Para que o reencontro seja breve e eficaz

Que assim seja!

Por Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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