23. Comunidade

Comum à unidade, no ponto de vista etimológico, a comunidade visa o bem-estar social. Uma ação, projeto ou mesmo a conscientização que somos um organismo vivo precisando de muita atenção.

Grupos druídicos estão se formando por todo o país, alguns com mais afinidades outros nem tanto, mas a imagem do “druida” ainda é associada ao ancião de vestes brancas, que percorre os bosques do velho mundo com uma foice dourada na mão, para colher o visco sagrado de uma grande árvore de carvalho ou ao arquétipo de poderoso mago Merlin, que acompanha o Rei Arthur durante a sua jornada.

Quem dirá haver mulheres no meio de druidas. Elas existem? Essa foi a pergunta que me fizeram outro dia, pois a maioria acredita que no Druidismo só podia haver a presença masculina. Talvez, isso aconteça porque as mulheres, em sua maioria, eram conhecidas com as profetizas, sábias e feiticeiras em muitas artes da tribo e, historicamente, pouco se sabe sobre as Druidesas, Druidisas ou Druidas.

“A mulher é sempre a imagem simbólica da Soberania, na sociedade celta, que encarna o conjunto total da comunidade da qual o rei – como marido – é a peça mestra, um pouco como acontece no jogo de xadrez em que a rainha é a peça de maior mobilidade, onde o rei também é uma peça fundamental, sem a qual se perde a partida. Nas narrativas épicas aparecem as mulheres mágicas, frequentemente, feiticeiras, como Fuamnach, primeira esposa de Mider, inimiga jurada da bela Etaine, e mais tarde como mulheres-guerreiras iniciadoras dos jovens, temíveis sacerdotisas especialistas em manipular os sortilégios. Estas mulheres nunca deixam de viver em sua plenitude.” – conforme descreve Jean Markale no livro “A Grande Epopéia dos Celtas”.

Sim, há mulheres na comunidade druídica, cada qual com o seu dom, contribuem com a expansão do Druidismo moderno no mundo todo, assim como os homens, onde ambos trilham o caminho em igualdade.

Enfim, tudo isso nos faz perceber como a espiritualidade celta nos conecta às forças primordiais, tão implícitas na sua cosmologia, onde os mundos estão todos interligados entre si. Portanto, é fundamental buscarmos, através desta unidade, a cooperação e a união dos talentos para conduzir, na atualidade, projetos e ações que incentivem o bem comum.

Independente do caminho religioso, agora é a hora de pensarmos em melhorias para a nossa grande comunidade, incentivar atitudes simples como a reutilização dos recursos naturais e a reciclagem do que é descartado. Assim como buscar alternativas na alimentação natural ou mesmo na confecção de hortas caseiras, por exemplo. Além da promoção da arte, o belo que alimenta a alma; do bem, no sentido de buscar a paz e o melhor para a sua comunidade e a verdade; buscando o caminho para se interagir em equilíbrio com o planeta e viver uma vida mais saudável.

Há muitas opções hoje em dia, graças aos Deuses!

Finalizo com um belíssimo texto do druida Gabriel Braga Martone:

Um sopro moderno para uma antiga mensagem: “Somos o Druidismo, buscamos nessa sabedoria ancestral pistas e referências para agir nesse presente, somos imbuídos coletivamente de uma espiritualidade Celta encarnada como guia. O Druidismo que ontem se constituía também enquanto ciência, originando em suas tribos as primeiras escolas e centros de saber, nos trazia a mensagem da unidade por trás de toda vida. Da triplicidade dos mundos – Uma espiritualidade vinda da terra e das estrelas – Uma ciência vinda da terra e das estrelas – Uma voz vinda da terra e das estrelas. Saber ouvir e transmitir essa voz foi tarefa ontem e nos é pedida hoje… Atentos para dar continuidade e construirmos bases para somar nessa transformação. Aqui, junto de nossas árvores, que não seguem protocolos senão a antiga lei da vida. Guardamos em nosso D.N.A essa lei profunda. Como mãe que sabe instintivamente os cuidados com a cria, como semente que sabe quando é primavera, mesmo que debaixo da terra para eclodir… É por isso que somos também Ativistas.” Que assim seja!

Por Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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