28. Caminho

Um caminho, um chamado sagrado que flui pelas espirais do tempo… Uma história de vida, talvez, de muitas vidas, quem saberá ao certo? Mudanças sutis que se processam um pouco a cada dia.

O meu filho mais velho, em certa ocasião, me perguntou: “Mãe, quantos anos é preciso para se tornar um druida?” Respondi que, antigamente, esse processo acontecia em torno de 20 anos, mas hoje, com as facilidades da vida moderna, esses estudos podem ser mais rápidos, sendo que ao mesmo tempo poderão levar uma existência inteira, pois o saber verdadeiro e o conhecimento são infinitos.

O caminho preconizado por aqueles que seguem o Druidismo moderno, seja ele druidista – que se refere ao praticante que estuda a espiritualidade céltica – ou ao sacerdócio druídico, a conexão com os Deuses, Ancestrais e Espíritos da Natureza, poderá acontecer por meio dos grandes festivais celtas, da transição da natureza e os ciclos sazonais, ampliando assim a percepção em relação ao universo que existe em torno e dentro de nós, ou seja, o macrocosmo refletido no microcosmo individual de cada ser.

Alguns irão dizer que este caminho é apenas filosófico, mas, para nós, ele é um caminho religioso, centrado na ética das nossas crenças pessoais. Para muitos, as duas formas caminham juntas e são vistas através da necessidade do homem buscar uma espiritualidade mais voltada à natureza ou a uma comunidade mais envolvida e comprometida aos movimentos ambientalistas atuais.

Seja qual for a sua escolha, é preciso estar ciente que os rótulos não importam, mas sim, a sinceridade com a qual você está disposto a se dedicar e se entregar na busca deste caminho. O Druidismo é uma religião transformadora que, recentemente, foi reconhecida na Inglaterra que, por extensão, mantêm seus princípios filosóficos intimamente ligados às vivências pessoais, tanto nas experiências individuais, como no coletivo em grupos informais ou clãs tradicionais.

Além das práticas mágicas ou druidaria e dos oráculos na visão moderna, como o Ogham, e que têm nos dando condições de acessar muitas informações ancestrais através da gnose pessoal, bem como da observação do comportamento antropológico e da história indo-europeia, possibilitando a inclusão de vários elementos para compor e reconstruir a nossa espiritualidade, sem que com isso, venhamos reinventar a roda, apenas fazer ela girar de forma mais harmônica, tornando a jornada clara e objetiva.

Encerro com as palavras do druida Philip Shallcrass, chefe da ordem Druid Network:

“O processo de re-inventar, no sentido de resgatar a tradição, continua nos dias de hoje através de escritores e profissionais, como o compositor e folclorista R. J. Stewart, bem como John e Caitlin Matthews que, juntamente, com Emma Restall Orr e tantos outros, têm sido fundamentais para a re-introdução das práticas “xamânicas” no druidismo moderno. Ao fazer isso, eles estão buscando restaurar o papel do Druida para algo muito próximo a sua forma antiga, a do caminhante entre dois mundos, mediando entre eles o benefício de suas comunidades. Este druidismo “xamânico” trabalha diretamente com os espíritos do lugar, da terra, das árvores, plantas, animais e antepassados. E foi inspirado, em partes, pela descoberta das práticas descritas na literatura medieval da Irlanda e do País de Gales, mas também pelo estudo, o contato com a terra e com os ancestrais da nossa espiritualidade. Sendo assim, o Druidismo de hoje, nos inspira fortemente sobre o passado às necessidades fundamentais da época atual de encontrar harmonia pessoal e preservar o equilíbrio ecológico da Mãe Terra.”

Que assim seja!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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