29. Futuro

O futuro se lê nas entrelinhas do presente, reescrito nas memórias do passado, inspirando-nos a seguir adiante, rumo a novos ciclos. E o que nos reserva o futuro?

Mudanças e imprevistos acontecerão, com certeza, pois o universo está em constante movimento. O futuro depende muito de como encaramos os fatos à nossa volta e, principalmente, como interagimos com ele. Como dizem: nem tanto o céu, nem tanto a terra. Focar o cotidiano com lentes cor-de-rosa não corresponde à realidade, por outro lado, olhar as tragédias pessoais com os olhos negros do pessimismo, muito menos. O equilíbrio é sempre um bom companheiro.

Aprendemos no Druidismo moderno a observar o mundo através da crença na ciclicidade da vida. Os povos celtas acreditavam que para nascer neste mundo, tínhamos que morrer no Outro e vice-versa. Essa interação entre os mundos nos transmite uma sensação de paz, além de nos incentivar na busca pelo conhecimento e o autoaprimoramento sem que, com isso, percamos o rumo da jornada.

“Entender as dinâmicas ocultas do tempo é conhecer a realidade do mundo dos espíritos que permite ao Ovate alcançar o divino sem a interferência da mente racional. Este trabalho possui três categorias: o Augúrio – que é a realização de previsões baseadas em sinais e presságios; a Adivinhação – que utiliza métodos específicos para encontrar coisas ocultas – sejam eles intangíveis, como os eventos futuros ou tangíveis, tais como o veio d’água ou o metal; e a Profecia – que dependia da capacidade do Ovate para canalizar a sabedoria superior em relação ao futuro.” Conforme explica o druida Philip Carr-Gomm, no livro “Os Mistérios dos Druidas”.

Os métodos oraculres empregados na maioria das tradições druídicas, conforme os textos clássicos e os mitos, são vistos da seguinte maneira:

1. Métodos de Augúrio: Os pássaros representam a presença dos Deuses, o corvo, por exemplo, era associado à Morrighan e a Badb. A direção de onde eles vinham e os ruídos que emitiam, permitiam que um druida soubesse o tipo de pessoa que se aproximava. Outras formas de augúrio, praticadas pelos druidas e ovates, era o “neldoracht” ou a observação do movimento das nuvens, bem como a direção dos ventos, nevoeiros, trovões, relâmpagos e até as chuvas durante os dias dos grandes festivas celtas, ajudando-os a predizer o futuro.

2. Métodos de Adivinhação: Segundo o Livro de Ballymote, Ogma (filho de Dagda) inventou o alfabeto oghâmico conhecido como Ogham ou Ogam, baseado em árvores sagradas. O Ogham era a linguagem secreta dos bardos e poetas que reconheciam através da intuição ou de um enigma, a compreensão de suas metáforas druídicas. Apesar de não podemos ter certeza, do ponto de vista histórico, de que os antigos druidas usassem o Ogham de forma oracular, atualmente ele é muito usado para se acessar este saber ancestral. Além disso, eles usavam uma varinha de aveleira para encontrar água ou metais, tal como os radiestesistas o fazem.

3. Métodos de Profecia: A intuição permite canalizar a inspiração sagrada em termos mais profundos, nos ensinando a lidar com os níveis extrafísicos da realidade, por meio da imersão meditativa ou do transe “xamânico” que, na forma de profecias, possibilitam descrevem um possível tempo futuro, descrito nos mitos através da visão de Morrighan, durante a Segunda Batalha de Moytura.

Enfim, todas essas ferramentas nos dão acesso ao Outro Mundo, possibilitando uma infinidade de ensinamentos, mas o futuro do Druidismo e do mundo atual está na forma como utilizamos todo esse conhecimento antigo. Então, use-o com muita sabedoria!

“Escutai a voz do Bardo! Que vê Presente e Passado, e o Futuro que escutou o antigo Verbo Sagrado, quando entre as velhas Árvores andou.” – Por William Blake.

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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