3. Terra e Natureza

A terra é a nossa herança ancestral, o solo onde os antepassados caminharam e por onde os filhos fincarão suas raízes. Imanentes da própria natureza, fazemos parte deste ecossistema chamado Planeta Terra. Como se diz na canção de Luar na Lubre: “Somos parte desta terra, porque terra somos nós.”

Essa atmosfera de comunhão e harmonia reproduz a energia necessária para vivermos em sintonia com o meio ambiente através da essência do Druidismo, uma religião centrada na força primordial que honra os espíritos da natureza, seus ancestrais, os Deuses e o Planeta, construindo assim o nosso caminho druídico.

Para os celtas a terra era sagrada e quase tudo a que a ela pertencia. Possuíam um conhecimento profundo sobre a natureza ao seu redor; os mitos e as lendas forneciam informações essenciais para que pudessem interagir com o mundo físico e com o mundo sobrenatural também.

Animistas como eram, acreditavam que em todos os aspectos do mundo natural e animal existia um espírito ou uma entidade divina, com o qual os seres humanos poderiam estabelecer um contato direto. Os textos clássicos relatam que entre eles havia uma forma de juramento céltico, que atribuía características especiais aos elementos da natureza e seus deuses tribais.

Entre passado e presente, podemos dizer que os Druidas modernos têm o compromisso de contribuir para a conscientização de um mundo melhor, em todos os sentidos. Neste caso, honrando a nossa própria terra, o Brasil. Sendo assim, o sacerdócio no Druidismo é como um agente equilibrador, que tem a responsabilidade de curar/cuidar da sua tribo (comunidade/família), bem como de si mesmo e do mundo onde vivemos.

Ao usarmos a palavra honrar, não nos referimos a um modo passivo de submissão e compassividade, mas uma forma de respeito, principalmente, à Mãe Terra, que urge de cuidados e muita atenção em relação ao mau uso dos seus recursos naturais. Inspirados neste chamado silencioso, nós, que somos filhos dela, seremos chamados a buscar atitudes mais conscientes, despertando os que ainda não atentaram para o fato de que é preciso haver mudanças em relação às suas ações.

Como druidas somos mediadores da paz, mas nem por isso, deixamos de ser guerreiros(as)!

Sendo que, muitos irmãos do caminho estão em conformidade ao chamado, e buscam formas concretas de agir em prol da CURA da Terra, semeando novas sementes que irão produzir vários frutos de sabedoria. Finalizo com um poema do druida Michael R. Gorman, traduzido pelo amigo e colunista Ëldrich.

“Grove do Aspen,
Muitos braços
De uma única raiz
No fundo do útero,
Mistério da Mãe
Eles são muitos ou são um?
Responda-me isto:
São muitos ou são um?
Sim, sussurra o Aspen…
Somos muitos e somos um.”

Que assim seja!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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