30. Conselhos

Ao concluir a jornada dos 30 dias druídicos percebi quanta riqueza há dentro de nós e, principalmente, ao nosso redor. Pude lembrar de fatos que me fizeram chegar até aqui e o quanto ainda há para percorrer.

Obrigada pelo carinho e a paciência daqueles que nos acompanharam durante esse processo, ademais quero expressar minha eterna gratidão aos veteranos que carregam o seu ramo de prata e de ouro e que, diretamente ou indiretamente, me conduziram pelas trilhas deste bosque sagrado, através da boa hospitalidade celta, como disse o druida Endovelicon em sua postagem.

Diz a lenda e os mitos que para a formação tradicional de um druida, na antiga sociedade celta da Irlanda, era ofertado um ramo de bronze – um galho de árvore com três sinos pendurados (guizos) – para anunciar a chegada do novato ao caminho, depois de seis anos de estudo. Em seguida, era preciso mais três anos para se conquistar o direito ao ramo de prata. E, finalmente, os últimos três anos para ser considerado mestre e alcançar o mérito ao ramo de ouro.

Recomendo o estudo da história e da arqueologia, que podem mudar conforme novas comprovações, como descreve John Haywood, no livro Os Celtas – da idade do bronze aos dias atuais: “Nenhum aspecto da religião celta atraiu mais a atenção que os druidas, os quais não eram apenas sacerdotes. Eles tinham um aprendizado de 20 anos, onde memorizavam uma quantidade enorme de versos transmitidos oralmente (um plano da mnemônica), que compreendia a religião tradicional, magia, medicina, leis, astronomia e história tribal. Tal como a prática de rituais religiosos e de adivinhações; os druidas também tinham responsabilidades educacionais e legais. Embora haja uma referência que menciona druidas vestidos com mantos brancos, na verdade não há razão para acreditar que se vestissem de modo diferente de qualquer outro membro da elite tribal. É igualmente incerto o alcance do druidismo, pois os druidas são mencionados apenas por escritores clássicos. Os druidas praticavam cerimônias em bosques de carvalho sagrado, mas desde o século II a.C., os templos e locais fechados tornaram-se mais comuns na Gália, na Europa Central e no Sudoeste da Grã-Bretanha. Parece indicar que o processo de formação do mundo celta foi acompanhando uma mudança mais formal, porém manteve aspectos celtas distintos, incluindo os nichos com caveiras, uma prática ritual associada à guerra. Contudo a imagem dos celtas que sobressai no fim da idade do ferro, não é de gente simples de um mundo diferente, mas a de um povo sofisticado, movendo-se rapidamente para o desenvolvimento de uma civilização urbana perfeita.”

Então, além do estudo, qual conselho ou recomendação posso lhe dar?

Digo apenas: sinta o fluir da sua essência, mas tenha em mente que o Druidismo de hoje corresponde somente a uma parte das respostas a todas as suas perguntas, que nem sempre estarão escritas nos livros ou nas páginas da internet. A história pessoal se escreve um pouco a cada dia, nas suas vivências e meditações junto à natureza, consciente da inspiração sagrada (Awen/Imbas), que possibilitará adentrar os portais do Outro Mundo, onde a verdadeira sabedoria ancestral será acessada.

Como uma árvore na floresta, cada um tem o seu momento e irá amadurecer no seu ritmo, sem pressa e nem comparações, respeitando a liberdade de escolha individual de cada fase. Está tudo certo, de acordo ao seu tempo, espaço e local de percepção. É o próprio tempo que nos ensinará a ver o mundo através dos ciclos infindáveis da transformação, contidas nas espirais da vida.

Mesmo assim, há muito para se descobrir e como escrevi no epílogo do livro Brumas do Tempo, encerro como iniciei, na certeza de que este fim será um novo começo para todos nós.

Em algum tempo ligeiro, o vento nos conduz pela brisa das memórias vividas e arquivadas em um local secreto de nossas mentes… Um começo sem meio e nem fim, quem saberá?

Mentalmente, descrevo meu percurso e, a cada minuto, visualizo com precisão meus objetivos. Estes, alcanço com sucesso neste momento mágico em que aprendi a utilizar a meu favor… Começa então, a grande canção do eterno amanhecer nas ondas do mar de infinita beleza, como não pude resistir, fui ao encontro dessa energia, um chamado silencioso da vida que, nas suas infinitas possibilidades, reúne seus filhos queridos, nas afinidades, semelhanças e até mesmo nas diferenças do ser.

Simplesmente, me perco por entre os meus pensamentos, olho para o céu através da janela do meu quarto, observo o movimento dos carros transitando pela rua e, num breve suspiro, agradeço a cidade tranquila em que vivo. Nela ainda se guarda muito dos antigos costumes, herdados do velho continente.” E a jornada continua… Sempre! Assim me despeço.

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
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Brumas do Tempo:
www.brumasdotempo.blogspot.com
Três Reinos Celtas:
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