4. Três Reinos

Um bom exemplo da representação de cada reino está no Táin Bó Cúalnge, mito irlandês do Ciclo de Ulster, como referência de poder aos Três Reinos e no juramento céltico: “Manteremos a fé até o céu cair sobre nossas cabeças e nos esmagar, até a terra se abrir e nos engolir, até o mar subir e nos afogar.”

Os povos que atualmente conhecemos como Celtas, possuíam um simbolismo mágico e de poder em relação ao número três que, provavelmente, representava os ciclos de vida, morte e renascimento. Existem vários mitos celtas que descrevem essa triplicidade, considerada sagrada por eles e que está perfeitamente elucidada aos Três Reinos: Céu, Terra e Mar – locais onde há existência de vida.

As forças que compunham todo esse universo simbolizam, também, as três esferas do nosso ser: corpo, mente e espírito. E são vistos pelos druidas modernos da seguinte maneira:

– O Céu: que está acima de nós e representa a luz, a inspiração sagrada e os Deuses.

– O Mar: que está no horizonte e representa os seres feéricos, a água e os Ancestrais.

– A Terra: que está abaixo de nós e representa as raízes, o solo e os Espíritos da Natureza.

Evidentemente, nas fronteiras do Outro Mundo transitam Deuses, antepassados e espíritos da natureza. No centro destes reinos encontraremos o Bosque Sagrado, onde o Fogo queima no Poço da Sabedoria, sob a Árvore do Mundo e que, durante nossas vivências pessoais, utilizamos essa simbologia em nossos ritos.

Os Três Reinos estabelecem uma divisão organizada do Cosmos como algo imutável e duradouro, fortemente impregnado nas lendas, no folclore e na mitologia céltica.

Fluindo entre os mundos, transcrevo o poema de Caitlín Matthews para a travessia da alma:

“Não sei qual o meu destino.
Viajo para muito longe das ondas.
Procuro minha alma, onde ela está?
Eu olho a estrela para me guiar de volta.

Há uma ilha no oeste,
Terra sob o Céu e sobre o Mar,
Viajo para muito longe em minha busca.
Procuro um guia para me conduzir.

Um ramo de prata em minha mão
Com flor de cristal e fruto dourado,
A mãe árvore cresce na praia;
É lá que eu devo encontrar minha raiz.

Há uma ilha no mar,
Onde as águas fluem e o alimento dá a vida,
Onde não há inimigo, onde o amor é livre.
Procuro um lugar onde não haja contenda.

Eu olho a estrela para me guiar para casa,
Encontro o repouso da minha alma e meu espírito,
Viajo muito além das nove ondas,
Pois não há fim em minha busca.”

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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