A Magia das Palavras

Literalmente, magia quer dizer fascinação ou encanto, normalmente praticado por um bardo, sacerdote ou magista de qualquer vertente. O sacerdócio é uma prática devocional para todos aqueles que buscam o conhecimento profundo em benefício de si e da própria humanidade.

Muitos homens e mulheres percorreram o caminho iniciático, em busca deste conhecimento, de forma errônea e egoística, esquecendo-se que a vida em si é uma eterna iniciação rumo ao aprendizado espiritual ou a iluminação poética, como se diz no caminho druídico.

Em cada época de aprendizagem e despertar da consciência do ser, podemos observar a que ponto chegou a ignorância e o medo sentido pelo homem no geral, o que contribuiu apenas para o desequilíbrio do mesmo. Pois nem sempre conhecimento significa sabedoria.

Ao falarmos da magia das palavras, referimo-nos a forma como o ser humano vem se expressando através dos tempos e, assim, construindo um mundo de formas e crenças ao seu redor. Antigas lendas ressaltam que durante certo período da história, os homens possuíam credos e linguagens bem similares.

Com o número cada vez maior de necessidades básicas de sobrevivência, a dispersão foi iniciada e uma incessante migração de tribos primitivas da Terra deu início ao processo seletivo entre os povos.

As tribos celtas sofreram várias influências, mas conservaram oralmente muito dos seus costumes, mitos e principalmente a língua. A Irlanda foi o país que mais bem preservou a memória desta cultura, além da crença na existência de um ‘outro mundo’ misterioso, habitado por fadas e seres sobrenaturais.

Este poder “sobrenatural” reside nos limiares da realização e das possibilidades de tornar os sonhos em realidade, expressando a fé através da confiança e da palavra mágica proferida de forma positiva. Na Irlanda, por exemplo, ainda se fala o gaélico irlandês, herança da língua celta, impregnada com sua força ancestral.

As invocações são antigas formas de conexão com o nosso eu superior, ou seja, preces direcionadas para se alcançar algum objetivo, sejam na forma de poemas, canções ou orações. Essas conexões são formas de se expressar à magia natural, comumente conhecida como bênçãos, encantamentos e até mesmo em sátiras e maldições. O silêncio possui sua magia e encanto, como no exemplo dessa tríade irlandesa:

– O silêncio durante uma instrução;
– O silêncio durante uma música;
– O silêncio durante uma oração.

Na concepção céltica sempre houve o reconhecimento do silêncio. Como descreve John O’Donohue: “A linguagem da poesia emana do silêncio e ela retorna. A tradição celta era essencialmente oral. As narrativas, poemas e preces viveram durante séculos na lembranca popular, mas sem a percepção e a reflexão silenciosa, a narrativa se tornava repetitiva e superficial. Os segredos não se revelam com palavras. O silêncio é irmão do divino e grande amigo da alma. Eis a profundidade oculta.”

A máxima de usar qualquer prática está na sabedoria de atrairmos tudo aquilo que queremos de bom para nossas vidas, sendo que o contrário também se torna verdadeiro, pois ao desejarmos algo de ruim a outrem, estaremos automaticamente atraindo a mesma energia para nós mesmos. Essa é complexidade da vida. Medite sobre isso.

Que o seu caminho seja abençoado!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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"Três velas que iluminam a escuridão:
Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.