Druidismo Moderno

O Druidismo moderno ou Druidaria é uma religião politeísta, um caminho espiritual baseado no estudo da cultura céltica e em gnoses pessoais, centrado na força da terra, que honra os espíritos da natureza, seus ancestrais, os Deuses antigos e respeita todas as criaturas viventes. Os grupos são chamados de “Bosques”, “Clareiras”, “Ramos”, “Caer” e “Gorsedd”, em galês, também “Grove”, em inglês, além de se organizarem em Ordens, Colégios ou Protogrove.

 O Druidismo é uma religião natural da terra.
Philip Carr-Gomm – OBOD

A palavra druida é de origem céltica e, segundo o historiador romano Plínio, o Antigo – está relacionada a força do carvalho, considerada uma árvore sagrada para essa cultura. Os druidas foram membros de uma elevada ascendência celta. Ocupavam os cargos de juízes, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos, matemáticos, astrônomos, alquimistas, etc.Dominavam quase todas as áreas das ciências exatas, como a matemática, a música, a poesia, além de notáveis conhecimentos da medicina natural, fitoterapia e agricultura. Embora possuíssem uma forma de escrita conhecida pelo nome de Ogham, muito parecida com a escrita rúnica, não a usavam para gravar seus conhecimentos.

Após o domínio do cristianismo muitas informações históricas da cultura celta se perderam, exceto aquilo que permaneceu guardado nos registros dos antigos historiadores greco-romanos. Por isso, muito da história dos Druidas até hoje é um mistério para os pesquisadores oficiais; sabe-se que eles realmente existiram entre os povos Celtas como seus sacerdotes, mas que não nasceram nesta civilização.

Apesar da grafia moderna, as fontes de pesquisa do Druidismo são praticamente as mesmas dos povos conhecidos como Celtas, com um pouco mais de restrições, pois não encontramos druidas em todas as sociedades celtas, ou seja, somente em textos medievais, de origem meramente mitológica, com dados de arqueologia e relatos romanos.

Esse estudo se inicia com a tradução de alguns textos acadêmicos de estudiosos renomados a respeito do Druidismo e da história nos dias atuais, não pretendemos concluir, mas fornecer informações a respeito dessa tão específica casta druídica. Os Druidas mostram-nos que sempre podemos rever o passado para melhor aprender o presente. Empenhemo-nos, então, neste maravilhoso mundo da pesquisa etimológica e histórica, entre o mito e a arqueologia.

Sugestão de leitura: The World of The Druids – Dra. Miranda Green – Ed. Thames Hudson 1997

A Dra. Miranda Jane Aldhouse Green e Professora Doutora de Arqueologia e chefe do SCARAB – Centro de pesquisas da Religião, Arqueologia, Cultura e Biogeografia da Universidade de Cardiff em Gales. Autora de vários livros como “The Gods of The Celts”, “Celtic Myths”, “Exploring the World of the Druids”, entre outros. Responsável por produzir documentários sobre a idade do ferro e artigos sobre a cultura celta.

Druidismo X Romantismo

De acordo com Miranda Green, o reverendo John Ogilvie foi vicário de Aberdeeshire com interesses antiquários. Assim como muitos contemporâneos do século XVIII, Ogilvie erroneamente associou os druidas aos megalíticos. Sua descrição de Arquidruida, no mesmo contexto, é típico do romantismo com o qual os druidas eram vistos pelos antiquários desse período.

John Ogilvie fez uma amálgama dos escritores clássicos com o idealismo do século XVIII, resultando dessa confusão: que druida era um nobre, sábio e venerável, um sacerdote vestido de túnica branca e de barba. Mas o que sabemos através dos mitos irlandeses, é que os druidas usavam mantos coloridos e brincos de ouro, conforme nos diz Estrabão.

Entre os séculos XVI e XIX na Bretanha e no Continente houve um grande interesse em material antiquário. (NT: esse período no início do século XIX foi chamado de Romantismo, onde o interesse pelo passado, qualquer passado era guiado pela busca de emoção e ilusão de resgate da pureza dos estados iniciais do Homem-Natureza, cria-se o mito do bom selvagem e demais mitos de ingenuidade e pureza existentes no passado e corrompidos no presente).

Por fim, o passado “pré-histórico” sobre celtas e druidas, foram e ainda são objeto de muitos debates.

“O escritor romano Plínio refere-se ao carvalho sagrado dos druidas. A santidade das árvores parece ter sido baseada em seu auge, com suas grandes ramificações que parecem tocar o céu, à sua longevidade e à penetração de suas raízes profundas no subsolo. Assim, se criaram um elo entre o céu, a terra e o submundo. Além disso, a árvore refletia o ciclo das estações, com a “morte” da folha da árvore que caduca no Inverno e seu renascimento milagroso, com a germinação da folha e o seu novo crescimento na primavera.” Confome descreve a especialista Dra. Miranda Jane A. Green.

Antiquários usaram entusiasmadamente referências à literatura clássica como foco inicial do qual eles verteram uma fantasia de atributos e funções druídicas. Em seu extremo, esses aspirantes a druidas atribuíram a eles todas as virtudes, junto com a maioria dos monumentos ancestrais.

Podemos dizer que o Druidismo é a religião dos celtas que se perdeu no tempo, mas que ainda continua viva em nossas almas e corações. Conforme contamos e escrevemos os seus mitos e feitos, além de fatos históricos, antropológicos e sociais, mais essa religiosidade será relembrada. Que assim seja!

Fonte Bibliográfica
The World of The Druids – Miranda J. Green

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