Espíritos da Natureza

Os relatos que nos chegam até os dias atuais sobre estes seres são graças à tradição oral, que conservou um legado na forma de poesias, cantigas, lendas e mitos. Sabemos que os povos celtas consideravam a natureza como um princípio sagrado. Além do culto que prestavam aos Deuses e aos antepassados, cultuavam também as árvores, as fontes, as pedras e os espíritos da natureza ou os seres feéricos. As deidades irlandesas, as Tuatha Dé Danann  são associadas às fadas e suas casas comumente chamadas de Side (Síd ou Sídh).

A etimologia da palavra “Síd” (plural Síde), significa: paz, boa vontade, trégua. E se refere às colinas ou aos montes, locais onde os seres feéricos ou as fadas habitam. Conforme o dicionário eletrônico da língua irlandesa (eDIL), o Sídhe se refere aos seres no geral, o Povo Nobre ou o Povo das Fadas. Em proto céltico *Sedos, *Sīdos, que corresponde a paz e ao “monte habitado por fadas” ou “túmulo habitado por seres sobrenaturais”.

No Druidismo moderno não existem elementais, como são conhecidos popularmente e associados aos quatro elementos, de origem grega. Na visão druídica moderna o mundo é composto por Três Reinos:

– O Céu, que está acima de nós e representa a luz, a inspiração e os Deuses.

– A Terra, que está abaixo de nós e representa o solo, as raízes e os Espíritos da Natureza.

– O Mar, que está no horizonte e representa o submundo, a água e os Ancestrais.

O mundo antigo era totalmente animista. Acreditava-se que em todos os aspectos do mundo natural havia um espírito ou uma entidade divina, com o qual os seres humanos poderiam estabelecer um contato direto. Entre eles havia uma forma de juramento céltico, muito usado nas religiões politeístas que atribuía características especiais aos elementos da natureza e seus deuses tribais, como mencionamos, o Céu, a Terra e o Mar: “Eu juro pelos deuses se eu quebrar o meu juramento, que o céu caia sobre minha cabeça, que a terra se abra para me engolir e que o mar suba para me afogar”.

A arqueologia e o registro literário indicam que as sociedades celtas indubitavelmente não faziam distinção entre o sagrado e o profano. Na prática dos seus rituais era comum fazer-se oferendas aos espíritos da natureza para manter o equilíbrio do cosmos entre os Deuses, os homens e as forças sobrenaturais, beneficiando-se assim dessa poderosa energia.

As oferendas aos espíritos locais é uma prática céltica e geralmente são vistas de bom grado, mas o importante é se ter certeza que a oferta é algo que os habitantes locais quereriam receber de fato. Observe os sinais!Espirítos da Natureza

Conforme relata a arqueóloga Miranda Jane A. Green, em seu livro “Celtic Animals, Life and Myth”, “a força solar se manifesta como uma divindade antropomórfica que, no entanto, manteve o seu motivo original para representar o Sol se movendo no céu. O espírito do Sol era capaz de criar e destruir a vida. A água foi reconhecida como uma força poderosa, mais uma vez desde o começo da pré-história europeia. Para os celtas, os “Numina” (plural de Numem) de rios, pântanos, lagos e nascentes foram potentes seres sobrenaturais que, como o Sol, poderia tanto promover como destruir as coisas vivas. A água foi percebida como sendo misteriosa: ela cai do céu e fecunda a terra, assim como as nascentes, que às vezes são quentes e possuem propriedades minerais e terapêuticas. Todas essas forças eram veneradas e merecedoras de culto e oferendas.”

Através do poder dessas forças extraordinárias observamos que, comprovadamente existem três dimensões conhecidas como: comprimento, largura e espessura, assim como sabemos que toda matéria animada ou inanimada, possui sua própria energia ou forma de ação, que pode ser: coesão ou força que une as partículas, adesão ou força que se opõe à separação de dois corpos diferentes, atração ou força que aproxima os corpos materiais e repulsa ou força que os repele. Mas como acreditar em algo que nem sempre pode ser comprovado cientificamente? Simplesmente sinta!

Ao adentrarmos no campo metafísico, em que há tantas dimensões de natureza vibratória que caminham paralelamente à nossa, podemos dizer que a consciência pode se deslocar no espaço infinito, acessando tanto o passado como o futuro, numa trajetória circular além do tempo presente.

Além disso, o homem possui uma consciência objetiva ligada aos cinco sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato, assim como funções subjetivas ligadas à memória, à imaginação e ao raciocínio de um modo geral, bem como um sexto sentido ou uma percepção extrasensorial chamada intuição.

A intuição é que nos conecta à consciência cósmica, da qual muitos de nós recebemos informações e mensagens ancestrais, inspiração divina e a interação mítica entre os feéricos e os espíritos da natureza. Como bem disse Leonardo da Vinci: “São fúteis e cheias de erros as ciências que não nasceram da experimentação, mãe de todo o conhecimento”. Que assim seja!

Rowena A. Senėwėen ®
Imagem Edward Robert Hughes
(Revisão e atualização em 24/09/2020)

Referências bibliográficas:
GREEN, Miranda Jane A. – Animals in Celtic Life and Myth – London: Taylor & Franci, 1992.
JUBAINVILLE, Henri-Marie D‘ Arbois – Os Druidas. Os Deuses Celtas com Formas de Animais – SP: Madras, 2003.
MACCULLOCH, J.A. – A Religião dos Antigos Celtas – Edinburgh: T. & T. CLARK, 1911.

Magia Elemental

Sou a magia elemental contida neste corpo causal
Sou forma feminina condensada em partículas de pura emoção
Sou a essência mais antiga que o próprio pensamento
Sou inspiração sagrada, que chega de leve como brisa de verão
Sou o ar que alimenta o fogo animal da mais louca paixão
Sou rainha de mim mesma, muito além das brumas do tempo
Sou o brilho dos olhos refletido no êxtase deste olhar
Sou chuva que refresca a terra árida e sem contratempo
Sou o pensamento dos sentimentos sem razão
Sou energia que ascende além da forma no firmamento
Sou o vapor d’água cristalina, carregada pelas nuvens do céu
Sou tudo e não sou nada, pois me revelei neste exato momento

Rowena A. Senėwėen ®
Extraído do livro Brumas do Tempo
Todos os direitos reservados.


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