Irlanda Ancestral: Literatura

A história irlandesa abrange desde os primórdios da história celta, entre 430 a.C., até meados de 1533 d.C., início da modernidade no mundo ocidental, a formação e o desenvolvimento político-social, econômico, cultural e religioso de Dublin, sua capital e maior cidade da Irlanda.

Podemos dividir a Literatura Ancestral da Irlanda, como sendo:

– Proveniente, de largo caráter mitológico, preenchida de heróis e lendas etc. Não há nada estritamente histórico ou estritamente filosófico. O objetivo era somente “cantar a glória” de seus reis e príncipes, principalmente no que se referia às batalhas que lutaram ou que foram lutadas por seus ancestrais.

– Grande parte dos poemas anônimos atribuídos à pessoas famosas do passado eram transmitidos através da tradição oral.

– Uma sociedade heroica e aristocrata que admirava a lealdade, a coragem, a honra e a hospitalidade.

– Os Deuses algumas vezes interferem nos romances dos mortais, como nos contos gregos, e tanto eles quanto o outro Mundo estão sempre presentes.

– Existe sempre um elemento “romântico”, que é repentino, obsessivo e que dura até a morte, às vezes, trazendo uma grande mágoa.

– As tradições irlandesas e galesas foram feitas pelos poetas das cortes, em prosas e não em poesias. Elas podiam ser sátiras, lamentos ou louvores.

A Literatura Ancestral da Irlanda foi transcrita por monges e divididas em ciclos:

1. Ciclo Mitológico Irlandês: a história mítica da Irlanda com uma série de invasões até a chegada dos Milesianos, os filhos de Míl Espáine.

2. Ciclo de Ulster: trata sobre o reinado de Conchobar Mac Ness, Rei de Ulster, do início da era cristã e os feitos do herói CuChulainn. Inclui também os feitos dos guerreiros Ulaid, o principal povo de Ulster nos tempos pré-históricos. A história principal é a famosa “A invasão do gado de Cooley – Tain Bó Cúalnge”. Onde CúChulain defende o Ulster sozinho.

3. Ciclo Feniano: considerado o ciclo das histórias populares, escritas aproximadamente dois séculos mais tarde que o ciclo de Ulster, conta à trajetória de Finn Mac Cumhail e os Fianna. Parecem ser as histórias mais “recentes” e que foram transcritas por último.

4. Ciclo Real: as histórias e feitos dos reis Milesianos, que inclui períodos históricos do Ciclo de Ulster, também chamado de Ciclo de Reis ou Ciclo Histórico.

Dolmen The BurrenMaterial encontrado em vários livros como: “O Livro de Leinster”, “O Livro de Lecan”, “O Livro Amarelo de Lecan”, “O Livro de Balymote”, “O Livro de Lismore” e assim como em diversos outros, mas com datas e narrações diferentes. Datar os contos da mitologia irlandesa é tarefa muito difícil, mas a maioria foi escrita na idade média e não na Irlanda Antiga. Nenhuma dessas histórias parece ter existido da mesma forma, antes do século 5 d.C.

O século 12, na Irlanda, foi um período de grandes recuperações e reformas, com o ressurgimento da literatura e do aprendizado. As Baladas de Poesia, primeiramente apareceram na Irlanda, uma forma mais popular em que se transformaram as Baladas Fenianas, em sua maior parte mostra um diálogo entre Oisin, filho de Finn e St. Patrick. Os contos podem ser agrupados em contos do Outro Mundo, e viagens míticas (Imramm), onde o herói embarca numa viagem e acha a Terra das Fadas. Desses contos cresceram as recentes lendas arthurianas.

No livro de Leinster, os contos são agrupados em tipos em vez de ciclos, que são sobre: destruição, roubo de gados, de cortejo, etc. O Ciclo Mitológico é anterior ao ciclo de Ulster, pois existem cópias mais antigas. A maior parte do conhecimento da Irlanda Celta e sua Mitologia está na batalha de Moytura.

O cristianismo irlandês

A Irlanda manteve sua cultura, em relação aos seus países vizinhos como Inglaterra, por exemplo, um tanto quanto conservada, principalmente no ambiente rural, conservando seu idioma original, o gaélico irlandês, assim como o seu folclore. Mas é óbvio que isso não significa que compartilhe do sonho delirante de que se visitar uma fazenda na Irlanda iremos encontrar, os “celtas” dançando em volta de uma fogueira, celebrando os seus Deuses.

Irlanda, Grã Bretanha e a Gália eram povoadas pelos celtas ainda no séc. 1 d.C., quando começaram as invasões romanas nesses territórios. Romanização, essa que foi penosa e deficiente, quanto mais ao Norte avançavam, mais resistência encontravam e como se não bastasse à resistência celta na Grã-Bretanha, Irlanda e Escócia, as invasões germânicas não tardaram a aparecer. Como somente parte da Grã-Bretanha foi realmente romanizada, conservaram-se “originais” tanto a Irlanda quanto a Escócia.

Por volta do século 5 d.C. apenas, a cristianização chegou a esses territórios completamente pagãos, através de St. Patrick e St. Colomba, na Irlanda e Escócia respectivamente.

A cristianização na Irlanda foi um paradoxo: ao mesmo tempo em que destruía a religião original do país, um paganismo celta certamente livre do sincretismo com o paganismo romano; possibilitando a conservação literária dessa mesma cultura até os dias de hoje. NesseCruz Irlandesa instante decisivo na história, o conhecimento popular era transmitido oralmente; com a cristianização, os épicos, lendas, mitos e Deuses maravilhosamente foram preservados pela literatura. Daí vem à especulação de que os primeiros monges cristãos seriam druidas convertidos, o que não é de todo impossível de se acreditar.

O quadro institucional da igreja era essencialmente urbano, pouco convinha ao caráter rural da vida irlandesa. Os irlandeses preferiam seguir o exemplo dos santos eremitas do Egito e do próprio oriente, que deixaram as tentações da cidade para buscar a perfeição em lugares ermos.

Grupos de monges, participando do mesmo ideal de disciplina ascética, fundaram os primeiros mosteiros que, no século 5, já tinham chegado à parte ocidental da Grã-Bretanha.

Os monasticismo irlandês assumiu a direção da Igreja, caso único em vez de bispos, e estes conventos, bem ao invés dos protótipos egípcios, cedo se tornaram centros de cultura e de criação artística. Aí cresceu um fervor missionário que levou os monges a pregar aos pagãos e fundar conventos no norte das Ilhas Britânicas e no continente, desde  a cidade de Poitiers a Viena, apressando a conversão da Escócia, Norte da França, Países Baixos e Germânia. Embora as fundações conventuais fossem entregues progressivamente aos monges beneditinos. A influência da Irlanda iria sentir-se na civilização medieval por séculos e séculos.

Os irlandeses, durante a Idade Média, assumiram o papel de fornecedores culturais e espirituais do Ocidente, influenciando principalmente a Bretanha que em sua vez, influenciava todo continente. Não é toa dá-se o nome de Período de Ouro da Irlanda, os anos compreendidos de 600 a 800 da era comum. A literatura irlandesa então, a mais rica e antiga do Ocidente. Representa um compêndio magnífico de originalidade, uma vez que a Irlanda estava livre de toda influência da romanização.

A sua conversão foi feita da classe sacerdotal do mais alto nível ao mais baixo, foram os clérigos que converteram reis e assim converteram o povo, fato também incomum. Essa conversão inversa permitiu a preservação dos valores e elementos comuns tipicamente celtas na literatura, o que faz dela a mais valiosa fonte de estudo da cultura desses povos, até os dias de hoje.

Fonte e créditos:
Adaptação do texto de Terence Brown
Oxford Bibliographies: Celtic and Irish Revival


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