Locais Druídicos

O Bosque Sagrado 

Avançar nos caminhos da espiritualidade é ir ao encontro dos “espíritos puros”. Embora a expressão “ir ao encontro” não seja exata, pois na realidade, o espírito divino está presente em tudo e irradia sob todas as coisas, mas a empregamos para indicar o movimento interior, a ação individual daquele que busca e deseja encontrar a divindade. Para os druidas há um mundo profano que permeia o mundo divino, que caminham juntos e não separados. E o que realmente importa aos druidas modernos é saber onde se encontra o ponto de contato entre estes dois mundos. O saber por qual sinal entrar pode-se observar na passagem entre o divino e o mundo natural.

As iniciações druídicas são ligações entre o Mundo Celeste, o Cosmos e o Mundo Material, por assim dizer. O Reino Invisível não está fechado aos humanos, mas por outro lado, devemos encontrar a chave a seguir, além de sermos capazes de abrir o Portal. Uma iniciação realizada torna-se um ponto de partida para um caminho mais luminoso, mais puro, mais perto do mundo divino, pois o iniciado caminha na infinitude. Voltar-se para a luz so saber é tornar-se o caminho da própria luz divina.

Escreveu Plínio, o Antigo: “Os druidas pensam que tudo o que nasce sobre um carvalho é enviado do céu, sendo um sinal de escolha da árvore pelos Deuses em pessoa. O visco é raro de se encontrar e, quando se acha, colhe-o numa grande cerimônia”.

Árvore do Mundo

Assim como o visco sagrado, aquele que cresce sobre um carvalho, assinala uma referida passagem. Em verdade, o visco não é mais sagrado do que si próprio, o carvalho é o portal, mas não é mais sagrado que ele mesmo. Somos nós, pelos nossos pensamentos, conduta e postura perante a vida, ações e idéias que tornamos este processo sagrado. E, mais ainda, pois sabemos que é o lugar de características especiais, que torna tudo muito mais sagrado. Os montes, as rochas, os lagos, as fontes e os rios, também são lugares sagrados. Eles não são apenas sagrados em si mesmos, mas o são porque tornaram-se testemunhos de uma passagem entre os dois mundos.

Em determinados lugares do solo existem profundas falhas geográficas e geológicas, chamadas de correntes telúricas, que irradiam forças formidáveis de energia e que entram em contato com as forças cósmicas. Uma vez que estabeleçamos um estado de harmonia com elas, cria-se um estado de equilíbrio em nosso interior. Esta troca é eficaz para aqueles que ali estiverem presentes e para que as celebrações sejam comemoradas.

O espírito druídico tem por tarefa mostrar o caminho do aprendizado e, por conseguinte, o da iniciação a todos aqueles que o desejam no fundo de seus corações. Entretanto, nenhum ritual ou iniciação pode ser dado a um ser humano se este não estiver em harmonia e desprovido de egoísmo. Receber uma iniciação é ser levado para um nível de vida mais responsável, mais intenso.

A preparação é pessoal e individual, ninguém poderá fazê-lo pelo outro. A ajuda e os conselhos daqueles que nos antecederam, em muito nós auxiliará nesta nobre jornada. Se bem que os antigos ensinamentos dos homens do carvalho, dos sacerdotes da natureza são basicamente orais, entretanto, eles não proíbiram a perpetuação sob uma forma material. Por exemplo, deixaram implantados no solo gigantescos blocos de granito, as construções megalíticas, utilizados como captores de correntes na malha das ondas telúricas, que sulcam o planeta, tal como um sistema nervoso.

Cromlech - Círculo de Pedras

Os druidas oficiavam seus cultos no Nemeton, que em gaulês significa lugar sagrado.  Em irlandês “Nemed” e “Fidnemed” correspondem ao gaulês para santuário ou bosque sagrado. A floresta era considerada o santuário dos druidas – O Bosque Sagrado – e os círculos de pedras eram conhecidos como Cromlech.

Toda floresta é um princípio sagrado, pois como o bosque é o suporte indispensável ao “conhecimento” do sagrado e do divino, existindo, portanto, um liame muito sutil entre a árvore e o conhecimento. O Nemeton também pode não ser uma floresta.

Árvores isoladas, matas e bosques eram sagrados para os celtas e a árvore em si, digna de culto. A iconografia romana enfatiza a importância das árvores na expressão de culto, sendo os santuários, dispostos em altares ao ar livre e decorados com o símbolo de uma grande “árvore do mundo”.

“Embora no Brasil os casos de construções megalíticas sejam raros, acentuamos que as correntes telúricas estão por toda parte. Infelizmente, não temos mais a flexibilidade de antigamente, quanto a terras disponíveis, para se achar os pontos de maior ou menor intensidade telúrica.”

Porém, obtivemos o conhecimento ao estudarmos os lugares iniciáticos europeus, um legado que nos foi deixado. E pudemos estabelecer que as vilas druídicas eram lugares onde perpetuamos a sapiência tirada de uma tradição milenar, colocando em prática numa fraternidade espiritual. Uma vila druídica é o local onde há casas de preces, de trabalho e de repouso.

Bosque Sagrado

“Como a árvore do mundo, o eixo central da vida, que das profundezas às alturas conecta a terra aos céus e nos une neste bosque sagrado, onde todos os tempos e lugares se encontram!” – Brumas do Tempo.

Doutrina Religiosa e Relatos Romanos

Os relatos de César são tentadores, mas nem ele e nem qualquer outro escritor nos deixaram nada além de informações superficiais sobre o que os druidas acreditavam ou falavam sobre o mundo divino. César listou muitos tópicos nos quais diz que os druidas mantinham longas discussões ou instruíam pupilos com poderes e esferas de ação dos Deuses imortais. Atesta que os druidas professavam saber a vontade dos Deuses e muitos autores falam que, os druidas tinham poderes divinatórios e prognósticos.

Diodorus reforça que eles falavam a “língua dos Deuses” e suas meditações com o mundo sobrenatural eram em busca de bênçãos para seus devotos. Lucan comenta quase exatamente a mesma coisa, dizendo que os druidas tinham a sabedoria dos Deuses.

Um detalhe específico sobre a doutrina ensinada é mencionado por César e refere-se ao culto aos Ancestrais: “Os gauleses acreditavam serem descendentes de DisPater e dizem que essa é a crença druídica”. DisPater era um Deus romano, da noite e da morte, mas o comentário de César indica que os gauleses tinham um Deus semelhante ao deles. Os romanos também falam da sabedoria oral, do ensinamento dos filhos de nobres, distinguindo bardos e druidas.

Tácito chega a falar de uma escola celta em Burgundy (região da Borgonha, França), onde eles atuavam como historiadores, que pesquisavam o mundo natural, eram filósofos, cientistas, faziam reunião em bosques e sítios, todas essas informações nos dão um esboço geral e externo da casta druídica. César chega a dizer que os druidas usavam o alfabeto grego para seus relatos públicos, consideravam impróprio escrever sobre seus estudos, mas tudo que foi relatado não basta para reconstruirmos a sua doutrina religiosa.

Fonte bibliográfica:
The World of The Druids – Miranda J. Green
Ed. Thames Hudson 1997.

A Primeira Arquitetura

Dólmen - IrlandaQuando as geleiras derreteram, o clima se tornou mais temperado, e o período Paleolítico  foi substituído pela era Neolítica (que quer dizer pedra nova). Os primeiros seres humanos saíram das cavernas e se tornaram fazendeiros ou criadores de gado e, com um estoque de víveres garantido, começaram a fazer a primeira “escultura” monumental.

Em 5000 a.C., surgiu uma colossal arquitetura de enormes pedras erguidas em três formas básicas: o dólmen, que consiste em enormes pedras verticais cobertas por uma laje, parecendo uma mesa gigantesca; o menir, que é uma única pedra vertical (o maior tem 54 metros de altura e pesa 350 toneladas); e o arranjo circular das pedra, como em Stonehenge.

Stonehenge: Agrupamento de pedras na Inglaterra

Na idade Média, acreditava-se que esse misterioso arranjo de pedras era criação de uma antiga raça de gigantes ou de uma feitiçaria que as teria trazido da Irlanda. Na verdade, parecia ser um calendário astronômico muito preciso e supostamente um local para cerimônias.

Em Stonehenge o anel externo consiste em trilhos, em forma da letra grega Pi (II), como gigantescos portais de granito. Segue-se um anel de pedras verticais menores, como lápides de cemitério e um anel interno, em forma de ferradura, de trilhos cuidadosamente lascados, de cerca de quatro metros de comprimento. Isolada desses círculos concêntricos, há uma pedra marcando onde o sol se levanta no solstício de verão.

Stonehenge - Inglaterra

Stonehenge é monumento megalítico da Idade do Bronze, localiza-se na planície de Salisbury, próximo a Amesbury no condado de Wiltshire, no Sul da Inglaterra. O sítio arqueológico foi tombado como patrimônio da humanidade pela Unesco em 1986. Vale ressaltar que Stonehenge, os Druidas e os Celtas foram associados erroneamente e esse enigma se reflete até os dias atuais. Apesar de seu acesso ser restrito e ter sido reconstruído, Stonehenge ainda é considerado um local sagrado e de grande conexão aos Deuses, que atrai cerca de 700 mil visitantes por ano. Que assim seja!

Fonte bibliográfica:
Arte Comentada – da Pré-História ao Pós-Moderno
Carol Strickland, Ph.D.

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