O Colóquio dos Dois Sábios

Um antigo conto irlandês “Immacallam in dá Thuarad” (O Colóquio dos Dois Sábios) é um exemplo do alto cargo do poeta ou do bardo irlandês, conhecido como “Ollamh”.

Do Livro de Leinster

Adnae, filho de Uthider, das tribos de Connaught, era o ollave da Irlanda em ciência e poesia. Ele tinha um filho, a saber, Néde. Então, esse filho foi estudar a ciência na Escócia, com Eochu Echbél (“Boca de Cavalo”); ele permaneceu junto com Eochu até estar habilitado em ciência.
Um dia, o rapaz avançou até que estava à beira do mar – pois os poetas acreditavam que, à beira da água, sempre era um lugar de revelação da ciência. Ele ouviu um som na onda, a saber, um canto de lamentos e tristeza, e isso pareceu estranho a ele. Então, o rapaz lançou um feitiço sobre a onda, para que ela pudesse revelar-lhe qual era o problema. E, depois disso, foi declarado a ele que a onda estava lamentando seu pai, Adnae, por sua morte, e que a túnica de Adnae havia sido dada ao poeta Ferchertne, que havia tomado o posto de ollave no lugar do pai de Néde.

O rapaz foi para casa e contou tudo ao seu tutor, isto é, Eochu. E Eochu disse-lhe: “Parta para tua terra agora. Nossas duas ciências não têm espaço em um só lugar, pois a tua ciência mostra claramente que tu és um ollave em conhecimento”.
Então, Néde partiu, e com ele seus três irmãos, a saber, Lugaid, Cairbre, Cruttíne. Uma bolg bélce (“bufa de lobo”) encontraram no caminho. Disse um deles: “Por que se chama bolg bélce?” Como eles não sabiam, eles voltaram para Eochu e permaneceram um mês com ele. Novamente, eles seguiram o caminho. Um simind (junco) encontraram. Como eles não sabiam (por que era assim chamado), eles voltaram para o seu tutor. No final de outro mês, partiram (novamente). Um gass (geas) sanais (ramo de salsa?) encontraram. Como não sabiam por que se chamava gass sanais, eles retornam a Eochu e permaneceram um mês com ele.

Quando suas perguntas foram respondidas, seguiram para Cantire, e depois para Rind Snóc. Então, de Porto Ríg, viajaram pelo mar até chegarem a Rind Roisc: daí, por Semne, por Latharna, por Mag Line, por Ollarba, por Tulach Roisc, por Ard Slébe, por Craeb Selcha, por Mag Ercaite, pelo rio Bann, ao longo do Uachtar, por Glenn Rige, pelos distritos de Húi Bresail, por Ard Sailech, que hoje se chama Armagh, pelo monte feérico de Emain Macha.

Assim foi o jovem, com um ramo de prata sobre ele; pois isso é o que costumava haver acima dos anruths, um ramo de ouro acima dos ollaves, um ramo de cobre sobre o restante dos poetas. Eles foram para Emain Machae. E Bricriu os encontrou na grama. Disse-lhes que, se lhe dessem o seu recompensa, Néde, por meio de seus conselhos e intercessão, se tornaria o ollave da Irlanda. Néde deu-lhe uma túnica roxa com seus adornos de ouro e prata, e Bricriu disse-lhe para ir sentar-se no lugar do ollave. Ele também disse que Ferchertne estava morto, enquanto (na verdade) ele estava ao norte de Emain, levando a sabedoria a seus alunos.

Bricriu disse: “Nenhum homem sem barba recebe o posto de ollave em Emain Machae”, pois Néde era um infante em relação à idade. Néde pegou um punhado de grama e lançou um feitiço sobre ele, de modo que cada um supunha que havia uma barba sobre ele. E ele foi e sentou-se na cadeira do ollave, e colocou sua túnica sobre si. Três eram as cores da túnica, a saber, uma cobertura de penas de pássaros brilhantes no meio: um salpicado cintilante de findruine na metade inferior externa e uma cor dourada na metade superior. Então, Bricriu foi a Ferchertne e disse a ele: “É triste, ó Ferchertne, que você tenha sido retirado do posto de ollave hoje! Um jovem homem honrado tomou o posto de ollave em Emain”.

Ferchertne se indignou, entrou no palácio e se ergueu com a mão estendida. E ele disse: “Quem é o poeta, um poeta”, etc.
Agora, o lugar deste Coloquio é Emain Machae. E a tempo é o tempo de Conchobar Mac Nessa. O autor é Néde filho de Adnae de Connaught – ou ele é das Tuatha Dé Danann, como diz no Coloquio (§§ 129, 130) “Sou filho de Dán (Poesia), Dán, filho de Osmenad (Escrutínio), etc. ” e Ferchertne, o poeta do Ulster. A causa de sua composição é que, após a morte de Adnae, sua túnica foi conferida a Ferchertne por Medb e Ailill. O filho de Adnae, Néde, saiu da Escócia (como dissemos) para Emain e sentou-se na cadeira do ollave; e Ferchertne entrou na casa e disse ao ver Néde:

Quem é este poeta, um poeta em volta do qual está a túnica com o seu esplendor,
Quem se exibirá depois de cantar poesia?
De acordo com o que vejo, (ele é apenas) um aluno.
De grama é o arranjo de sua grande barba.
No lugar onde se canta poesia que é este poeta, poeta controverso?
Nunca ouvi o segredo dos sentidos do filho de Adnae:
Nunca ouvi falar dele com pronto conhecimento
.Um erro, por minhas letras, é o trono de Néde!
Este é um discurso honorífico que Néde pronunciou para Ferchertne:

FALOU NÉDE

Um ancião, ó meu senhor, cada sábio é um sábio corretor.
Um sábio é a censura de toda pessoa ignorante.
(Mas) antes que ele conheça a ira contra nós, ele deve ver o que reprova, que mal cresce em nós.
Bem-vindo é mesmo o penetrante senso da sabedoria.
Leve é a mácula de um jovem, a menos que sua arte seja (com razão) questionada.
Venha, chefe, de uma maneira mais correta.
Erro você mostrou, errado você se mostrou
Você me concedeu muito escassamente o alimento do aprendizado.
Eu bebi do úbere de um homem considerável e generoso.

DISSE FERCHERTNE:

Uma questão, ó jovem instruído, de onde vieste?

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil (dizer). Do calcanhar de um sábio,
De uma confluência de sabedoria,
De perfeições de benevolência,
Do brilho do nascer do sol,
Das avelãs da arte poética,
Dos caminhos de esplendor,
Do qual a verdade é medida pela excelência,
Em que a justiça é ensinada,
Em que a falsidade seca,
Em que cores são vistas,
Em que poemas são renovados.
E tu, é meu senhor, de onde vieste?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Não é difícil (dizer): pelas colunas das eras,
Pelas correntes de Galion (Leinster),
Pelo monte feérico da esposa de Nechtan
Pelo antebraço da esposa de Nuada
Pela terra do sol (ciência),
Pela morada da lua,
Pelo cordão umbilical do jovem.
Uma questão, ó jovem instruído, qual é o teu nome?

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil (dizer): muito pequeno, muito grande, muito brilhante, muito rígido.
Ira de fogo,
Fogo da fala,
Som do conhecimento,
Poço de riqueza,
Espada de uma canção,
Arte com fio saído do fogo.
E tu, ó meu senhor, qual é o teu nome?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Não é difícil (dizer): Mais próximo dos presságios.
Campeão explanatório pela declaração, pelo interrogatório.
Inquiridor de ciência
Trama de arte,
Cascata de poesia,
Abundância de um mar.
Uma questão, ó jovem instruído, que arte tu praticas?

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil dizer: um corar, um semblante
Carne perfurada,
Esclarecer a confusão,
Podar o descaramento,
Apadrinhar a poesia,
Buscar pela fama,
Cortejar a ciência,
Arte para cada boca,
Difundir conhecimento,
Desnudar o discurso,
Em um pequeno aposento,
O gado de um sábio,
Uma torrente de ciência,
Abundante ensinamento,
Contos trabalhados, o deleite dos reis.
E tu, ó meu senhor, que arte praticas?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Buscar por apoio,
Estabelecer a paz,
Arranjar uma tropa
Tribulação de homens jovens,
Celebrar a arte,
Uma elevação com um rei,
Conhecer o Boyne,
briamon smetrach,
O escudo de Athirne,
Uma partilha de nova sabedoria da corrente da ciência,
Fúria de inspiração,
Estrutura de mente,
Arte dos pequenos poemas,
Arranjos claros,
contos coloridos,
Uma estrada celebrada,
Uma pérola na concha,
Apoiar o conhecimento após um poema.
“Uma pergunta, ó jovem instruído, o que tu realizaste?”

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil (dizer): ir até a planície das eras,
Para a montanha da juventude,
Para a caçada da velhice,
Em seguir um rei (morte?),
Em uma morada de barro,
Entre vela e fogo,
Entre batalha e seu horror,
Entre os poderosos homens de Tethra,
Em meio às estações…
Em meio às correntes de conhecimento.
E tu, ó meu sábio, o que tu realizaste?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Ir para a montanha do mérito;
Ir para a comunhão de ciências,
Para as terras dos homens de conhecimento,
Para o seio da revisão poética,
Para a inversão das recompensas;
Para o festim do javali do rei;
Para o pequeno respeito de novos homens:
Para as encostas da morte (onde há) abundância de grandes honras.
Um questão, ó jovem instruído, por qual caminho vieste?”

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil (dizer), pela alva planície do conhecimento,
Pela barba de um rei,
Por uma floresta das eras,
Nas costas de um boi de arado;
Na luz de uma lua de verão,
Por excelentes queijos (mastro e frutos),
No orvalho de uma deusa (grão e leite),
Pela escassez de grão
Por um vau de medo
Pelas coxas de uma agradável morada.
E tu, ó meu senhor, por qual caminho vieste?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Não é difícil (dizer): pelo bastão do cavalo de Lugh.
Pelos seios de mulheres afáveis;
Pelos cabelos de uma floresta;
Pela cabeça de uma lança;
Por um vestido de prata;
Em uma carruagem sem uma roda
Em uma roda sem uma carruagem;
Sobre as três ignorâncias do Mac ind Óc.
E tu, ó jovem instruído, de quem és filho?

RESPONDEU NÉDE:

Não é difícil (dizer): eu sou filho da Poesia,
Poesia filha da Escrutínio
Escrutínio filho da Meditação,
Meditação filha da Erudição,
Erudição, filha da Curiosidade,
Curiosidade, filha da Investigação,
Investigação, filha do Grande Conhecimento
Grande Conhecimento, filho da Grande Percepção
Grande Percepção filha do Entendimento,
Entendimento, filho da Sabedoria,
Sabedoria, filha dos três deuses da Poesia
E tu, ó meu senhor, de quem és filho?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Não é difícil (dizer): eu sou filho do homem que existia e não era nascido:
Ele foi enterrado na barriga de sua mãe:
Ele foi batizado após a morte;
Sua primeira presença, morte, o desposou:
A primeira fala de cada vivente;
O pranto de cada morto;
O elevado A é seu nome.
Uma questão, ó jovem instruído, você traz presságios?

RESPONDEU NÉDE:

Eu os trago, de fato; bons presságios;
mar frutífero,
praias transbordando,
florestas que sorriem,
Árvores ao longe,
árvores frutíferas florescem
os campos de grão crescem,
enxames de abelhas são muitos,
um mundo radiante,
paz feliz,
verão gentil,
exércitos pagos,
reis do verão,
sabedoria espantosa,
a batalha se vai,
cada um com sua (própria) arte,
homens para a coragem,
bordado para as mulheres,
munbrec láith
tesouros alegres,
coragem abundante,
cada arte completa,
justo cada bom homem,
bom cada presságio,
bons presságios,
E tu, ó meu senhor, tens presságios?

RESPONDEU FERCHERTNE:

Eu tenho, de fato: presságios terríveis, maligno o tempo que virá para ficar: onde chefes serão muitos, onde a honra será pouca: os vivos irão anular julgamentos justos.
O gado do mundo será estéril.
Homens irão descartar a modéstia.
Os campeões dos grandes lordes partirão.
Os homens serão malignos: reis (legítimos) serão poucos; usurpadores serão muitos
As desgraças serão muitas: cada homem será maculado.
Carruagens irão se desmanchar ao longo da corrida.
Os inimigos consumirão as planícies de Niall.
A verdade não garantirá a riqueza (excelência?)
Sentinelas ao redor de igrejas serão combatidos.
Toda arte será rebaixada
Toda falsidade será escolhida.
Todos sairão de sua posição (apropriada) através do orgulho e arrogância, nem mérito, nem idade, nem honra, nem dignidade, nem arte, nem instrução serão de serventia.
Cada pessoa habilidosa será quebrada.
Cada rei será um pedinte.
Cada nobre será derrotado: todos os plebeus serão elevados, nem Deus, nem homem serão adorados.
Príncipes (legítimos) perecerão perante usurpadores por opressões dos homens de lanças negras.
Crença será destruída.
Oferendas serão perturbadas.
Solos serão rebaixados (por arrombadores)
Celas serão minadas
Igrejas serão queimadas.
Armazéns serão mesquinhamente devastados.
A falta de hospitalidade destruirá flores.
Através de falsos julgamentos os frutos cairão.
Os caminhos (para seus anfitriões no inverno) irão perecer para todos.
Cães terão conflitos sobre cadáveres, cada um será… pelos seus descendentes através das trevas e rancor e avareza
No fim do final do mundo (haverá) um refúgio para a pobreza e mesquinharia e rancor.
Muitas controvérsias (haverá) com artistas.
Cada um contratará um satirista para satirizar em seu favor.
Cada um vai impor um limite ao outro.
Em cada colina a traição irá se esgueirar, nem cama nem juramento irão proteger.
Cada um ferirá seu vizinho; todo irmão trairá o outro.
Cada um matará seu companheiro durante a bebedeira ou cear, não haverá nem verdade, nem honra, nem alma.
Avarentos irão secar uns aos outros por seus números.
Usurpadores irão satirizar uns aos outros com tempestades de todas as trevas.
Méritos serão destruídos; clericismos serão esquecidos; sábios serão desprezados.
A música se transformará em vulgaridade.
Campeões se virarão contra as celas e clérigos.
Sabedoria será transformada em falsos julgamentos.
A lei de um senhor se virará contra a Igreja.
O mal passará para as pontas dos cajados dos bispos.
Cada conexão sexual serã adultério.
Grande orgulho e grande livre arbítrio irão se voltar para os filhos de camponeses e rústicos
Grande avareza e grande falta de hospitalidade e grande penúria se voltarão para os donos de terras, seus poemas serão sombrios.
Grande habilidade no bordado será passada para tolos e meretrizes, as roupas serão esperadas sem cores.
Julgamentos errados serão passados para reis e lordes.
Desobediência e ira passarão para a mente de cada um, nem servos nem servas servirão seus mestres; nem os reis nem os senhores ouvirão as orações de suas tribos ou seus julgamentos; para que os erenaghs [gerentes das terras da igreja] não escutarão seus inquilinos e suas comunidades; de modo que o tributário não suportará (pagar) uma compensação a seu senhor pelo que é devido; o inquilino eclesiástico não servirá à propriedade de sua igreja e seu abade legítimo; a esposa não apoiará a palavra de seu primeiro marido sobre ela; os filhos e as filhas não servirão seus pais ou suas mães; os alunos não se levantarão (respeitosamente) perante seus professores.
Todos transformarão sua arte em falso ensinamento e falsa inteligência para tentar superar seu professor; para que o aprendiz possa estar sentado enquanto o seu mestre está acima de sua cabeça (de pé), de modo que não haverá vergonha com o rei ou o senhor que tiver a comida especial ou bebida especial antes de seu camarada que o servirá, ou antes de seu séquito e da companhia que há com ele; de modo que não haverá vergonha com um fazendeiro que esteja comendo depois de fechar sua casa antes do artista que vende sua honra e sua alma por um manto e por comida: de modo que todo aquele com comida especial e com bebida especial virará sua face para seu camarada; a ganância tomará todos os seres humanos: de modo que o orgulhoso venderá sua honra e sua alma pelo preço de um escrúpulo.
A modéstia será descartada: as pessoas serão desprezadas: os senhores serão destruídos: as fileiras serão desprezadas: o domingo será degradado: as letras serão esquecidas: os poetas não mais serão produzidos.
A justiça será removida: julgamentos falsos serão manifestados pelos usurpadores do fim do mundo: os frutos serão queimados depois da sua aparição por um dilúvio de párias e rebeldes.
Em cada território terá um número excessivo.
Distritos serão estendidos para as terras altas.
Cada floresta se tornará uma grande planície: cada grande planície irá se tornar uma floresta.
Cada um será um escravo com toda a sua família.
Então, virão muitas doenças dolorosas; súbitas tempestades horríveis; relâmpagos com os prantos das árvores (atingidas por raios).
Inverno frondoso, verão escuro, outono sem colheitas, primavera sem flores
Mortalidade com a fome.
Doenças com o gado: bedgacha (tontura), scamacha, peste, hidropsia, milliuda, nódulos, maleita
Trabalhos sem lucro: esconderijos sem tesouros; grandes bens sem homens (para consumi-los).
Extinção dos campeões.
Falha nos campos de colheita.
Perjuros.
Julgamentos com raiva.
Uma morte de três dias e três noites em dois terços dos seres humanos.
Um terço dessas pragas em bestas do mar e floresta.
E virão sete anos de lamentação.
Flores perecerão.
Em cada casa haverá lamento.
Párias consumirão a planície de Erin.
Homens cuidarão de homens.
Um conflito ocorrerá ao redor de Cnámchoill.
Gagos claro serão mortos.
Filhas engravidarão de seus pais.
Contendas serão lutadas ao redor de lugares famosos.
Haverá desolação ao redor das colinas da Ilha de planícies e prados.
O mar irromperá sobre cada terra que habita a Terra da Promessa.
A Irlanda será deixada sete dias antes do Julgamento.
Será lúgubre após os abates.
Virão os sinais do nascimento do Anticristo.
Em cada tribo monstros nascerão.
Lagos se virarão contra riachos.
Estrume terá cor dourada.
Água terá o gosto do vinho.
Montanhas se transformarão em terras perfeitas.
Pântanos se transformarão em campos de trevos.
Enxames de abelhas serão queimados nas terras altas.
As marés recuarão de um dia para o outro.
E sete anos escuros virão.
Eles ocultarão as lâmpadas do céu.
Na destruição do mundo eles irão à presença do Julgamento.
Será o Julgamento, meu filho. Grandes presságios, dolorosos presságios, um tempo maligno!
Conheces tu, ó pequeno (em idade), grande (em conhecimento), ó filho de Adnae, quem está acima de ti?

RESPONDEU NÉDE:

Fácil (dizer). Eu conheço meu Deus criador.
Eu conheço meus mais sábios profetas.
Eu conheço minha avelã da poesia.
Eu conheço meu poderoso Deus.
Eu sei que Fechertne é um grande poeta e um profeta.
O jovem se ajoelha para ele. Néde atira para Ferchertne a túnica dos poetas, o qual ele colocou sobre si, e ele se levantou do trono do poeta onde ele estava, para se lançar aos pés de Ferchertne. E Ferchertne disse:

Fique, ó pequeno (em idade), grande (em conhecimento), filho de Adnae!

DISSE FERCHERTNE:

Fique tu, grande poeta, a saber, em ciência, ó filho de Adnae! Que sejas magnificado e glorificado!
Que tu sejas famoso (e) adornado na opinião de homem e Deus!
Que tu sejas uma cascata de poesia!
Que tu sejas um braço de um rei!
Que tu sejas uma rocha dos ollaves!
Que tu sejas a glória de Emain!
Que tu sejas mais elevado que todos!

FALOU NÉDE:

Que estejas sob os mesmos títulos! Uma árvore de uma copa; ele é ao mesmo tempo um homem sem destruição.
Uma cascata de poesia
Uma expressão de nova sabedoria; ele é o intelecto do povo perfeito; pai por filho; filho por pai.
Três pais são lidos aqui, a saber, um pai em idade, um pai em carne, um pai de aprendizado.
Meu pai em carne não mais está aqui.
Meu pai de aprendizado não está presente.
Assim, tu és meu pai em idade.
Eu aceito a ti como tal.
Que tu assim o seja!

AMEN!

Fonte: The Colloquy of the Two Sages. ed. and trans. by Whitley Stokes. Paris: Librairie Emile Bouillon, 1905

Notas: Essa versão do “Colóquio” apareceu pela primeira vez na página Tech Sceptra, de Erik Stohellou. Posteriormente ela foi incluída (com notas) na página de Mary Jones. Ambas as páginas possuem interessantes notas para melhorar o entendimento do texto. É recomendado que sejam lidas.

Tradução: Wallace William de Souza – Ramo de Carvalho


Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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