O Estilo da Arte Celta

A surpreendente qualidade da arte céltica reflete uma sociedade que dava grande importância à beleza e ao aparato visual da sua riqueza.

O estilo reside, na sua característica mais importante, nos padrões curvilíneos abstratos usados na ornamentação de muitos objetos. Os primeiros artesãos célticos estabeleceram um repertório básico de padrões decorativos atrativos. Estes padrões, embora «abstratos» aos nossos olhos modernos e, portanto, sem significado óbvio, devem ter proporcionado aos antigos Celtas um poderoso sinal visual de identidade cultural, pois estes mesmos padrões são encontrados em todo o mundo céltico.


“O Carro de Trundholm (de um pântano na Dinamarca, c. 1300 a. C), no Museu Nacional da Dinamarca: Nationalmuseet. Temas religiosos, estilos artísticos e materiais da arte céltica da Idade do Ferro têm as suas raízes na Idade do Bronze. Este modelo de bronze de um cavalo e disco com placa de ouro simbolizam provavelmente o Sol. Os símbolos cavalo e Sol aparecem juntos em moedas célticas tardias.”

A notável elasticidade deste estilo decorativo, de acordo com as mudanças externas na cultura céltica, pode ser aferida pela sua sobrevivência através do tempo. As inequívocas linhas curvas da arte céltica podem ser registradas, numa tradição ininterrupta, desde o século VIII a.C, com a cultura Hallstatt, na Europa Oriental.

Detalhes: “Cabeça de Mšecké Žehrovice, República Checa (pedra calcária do séc. III a II a. C). Esta cabeça céltica oriental foi descoberta ao lado de um templo religioso e , provavelmente, uma oferta a um deus, embora seja incerto se representa uma divindade ou um adorador. O torque, símbolo de um chefe guerreiro, sugeriria o adorador. Os olhos esbugalhados e as características curvilíneas estilizadas são típicas da arte La Tène.”

O estilo apareceu na Bretanha, no séc. III a. C, com a cultura La Tène, e sobreviveu durante uns mil e quatrocentos anos até as conquistas normandas. Têm sido identificadas, por historiadores de arte, várias mudanças cronológicas no estilo básico, bem como variações regionais. O estilo nunca desapareceu completamente da produção artística naquelas áreas, que retiveram um forte sentido do seu grandioso passado céltico.

A Irlanda e a Escócia foram particularmente bem sucedidas ao reavivar a arte em diferentes alturas da sua história pós-normanda, tendo os metalúrgicos dos séculos XIX e XX continuado a encontrar um mercado bem amplo para os desenhos de joalharia céltica.

Os artesãos célticos parecem ter deixado para os poetas a arte de contar histórias, pouco havendo na arte céltica que possa ser chamado de «narrativo». Em lugar da representação de aventuras heróicas, encontrada, por exemplo, na antiga arte grega, os artistas célticos, frequentemente, sentiram-se seduzidos por formas lineares entrelaçadas e altamente intrincados, estas formas vão desde as simples linhas riscadas até as fantasias complexas extraídas do mundo natural.

“Torque de Eletro (de Snettisham, Norfolk, Inglaterra do séc. I a.C.) em ouro. Colar com oito arames torcidos constituem cada um dos oito cordões principais. Estes eram soldados nas extremidades e decorados com ornamentos curvos, em estilo La Tène. Os artistas britânicos desenvolveram uma versão cada vez mais insular do estilo continental.”

Quando aparecem formas humanas ou animais, são evitadas as representações naturalísticas da arte clássica ocidental, sendo a natureza interpretada de uma maneira impressionantemente estilizada, mesmo destorcida.

As formas, às vezes, bizarras desta arte devem ser vistas no contexto global da cultura céltica. O tempo requerido e a perícia necessária para criar essas formas complexas em pedra, em madeira e em metal forneceram aos chefes tribais sinais visíveis da sua posição dominante na sociedade céltica.

Os homens e mulheres ricos que usavam e manuseavam estes objetos de arte também contratavam contadores de histórias, servindo-se os próprios mitos de um entrelaçamento semelhante de enredos e de subenredos para prender a atenção dos ouvintes; do mesmo modo, as narrativas míticas estão salpicadas de incidentes maravilhosos e de surpresas ocasionais. Os mistérios do ritual religioso druídico estavam no âmago do pensamento céltico, pelo que tal também deve ter afetado a tendência artística para evitar as imagens de deuses e de homens.

Fonte: Introdução à Mitologia Céltica de David Bellingham

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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