O que é Druidismo?

“Quem somos? Onde estamos? De onde viemos? Para onde vamos?”

As grandes áreas do conhecimento: ciências, filosofia, artes e religião existem, evoluem e se diferenciam a partir da necessidade humana de responder a esses questionamentos. Se observarmos a história do mundo como o sendo a história de diversas tribos em lugares e momentos diferentes, vamos perceber que cada uma delas buscou meios para responder as perguntas fundamentais e assim diversos aspectos de sua cultura se desenvolveram. Por exemplo, a medicina ayurvédica traz toda a percepção dos indianos sobre seu universo particular, e dentro dela há a beleza da arte, a ciência médica, a filosofia hindu e as crenças daquele povo. Os conhecimentos tradicionais são indissociáveis uns dos outros pois eles traduzem e carregam a história e cultura daquele povo.

A busca por conhecimento ou o despertar da consciência é a busca por compreender como nos relacionamos, como podemos nos sentir conectados e plenos e como podemos dar sentido a experiência a que chamamos de vida. Cada povo buscou respostas dentro do seu espaço (localidade) e tempo (período histórico), sendo assim podemos encontrar diferentes explicações se formos comparar contextos diferentes, o que não implica numa avaliação de qualidade, uma explicação é melhor que a outra, mas sim numa avaliação de diversidade, existem inúmeros ângulos para se analisar a mesma questão e eles estão intimamente relacionados com o lugar e o período onde foram desenvolvidas essas ideias.

O Druidismo é um desses caminhos para compreender a vida e o mundo ao nosso redor. É importante frisar que o termo Druidismo está intimamente ligado aos Druidas, sacerdotes descritos por escritores gregos e romanos relacionados com diversas tribos celtas. Os celtas eram povos que habitavam a Europa Central e as Ilhas Britânicas antes da expansão romana. Eram tribos diferentes, com aspectos culturais comuns: parentesco linguístico, estruturas políticas, conceitos religiosos, aspectos artísticos… Porém o termo “Druidismo” não aparece nos manuscritos históricos, dessa forma entendemos que é uma denominação moderna para as práticas dos Druidas e que eles não necessariamente chamavam sua religiosidade de Druidismo.

O Paganismo Celta é um termo amplo que abrange espiritualidades diferentes, propondo uma visão não cristã para a conexão com o sagrado. O termo “pagão” tem origem no latim “paganus” usado para designar aquele proveniente do campo, da natureza, em oposição ao cidadão, aquele que vive na cidade. Começamos a entender que o Paganismo está intrinsecamente relacionado a intimidade com a natureza e todas as espiritualidades que ele abrange tem como um dos focos principais esse contato com o ambiente natural. O Paganismo Celta abrange: Druidismo Moderno, Reconstrucionismo Celta, Xamanismo Celta, tradições de Bruxaria e outras espiritualidades centradas no estudo dos conhecimentos filosóficos e naturais das regiões celtas.

O Druidismo Moderno é uma das vertentes derivadas dessa busca pela espiritualidade original celta. Alguns pontos presentes no Druidismo Moderno e que podem ser comuns a outras espiritualidades celtas são:

  • o culto politeísta: a crença religiosa de que o Sagrado não se manifesta como um Todo unificado sem diferenciação e sim, como uma grande congregação de consciências individuais, diferenciadas que se complementam. Possuidoras de características e aspectos múltiplos que são chamados de Deuses.
  • a cosmovisão animista: a compreensão de que tudo no mundo físico possui essência espiritual ou alma, incluindo os seres “não-vivos” como as pedras, os ventos, a terra e o mar.
  • a sacralidade da natureza: se tudo possui espírito, tudo possui consciência e precisa ser respeitado. A natureza então seria sagrada e honrar e respeitar ela seria um princípio basilar inegociável.
  • a reverência a Ancestralidade: prestar honras e homenagens aos Ancestrais, agradecendo por poder aprender a partir do legado que eles deixaram.
  • o aspecto cíclico do universo e da vida: tudo que existe se movimenta através de ciclos seja em aspectos macros como o movimento dos planetas e o do próprio universo, seja em aspectos micros como os ciclos pessoais particulares da vida de cada um.
  • a imortalidade da alma, a reencarnação voluntária e a metempsicose: a alma imortal reencarna por escolha e não se restringe ao aspecto humano, não estabelecendo necessariamente uma hierarquia ou evolução espiritual.
  • a busca pela Awen: a prática de se conectar ao fluxo da Inspiração Sagrada.
  • a visão tripartida de mundo: o mundo é dividido em três reinos Terra, Céu e Mar.
  • a aplicação cotidiana da espiritualidade: é preciso viver o Druidismo em todos os momentos da vida.
  • a celebração da vida e da espiritualidade através dos festivais celtas, das passagens das estações do ano através dos solstícios e equinócios, dos ritos de passagem e outros…

O Druidismo é, portanto, uma forma de se relacionar consigo mesmo, com os outros e com o universo ao seu redor. Os ensinamentos druídicos antigos eram passados oralmente, nenhum texto escrito poderia transcrever a beleza sublime da experiência pessoal do sentir. Desse modo para muitos druidistas, os textos sagrados do Druidismo estão presentes nos ritmos da natureza, são lidos nos sons dos pássaros, no cheiro da chuva, no êxtase do nascer do sol ou no carinho de uma criança. O real segredo do Druida é conseguir integrar a sua alma aos relacionamentos que ele tem, ele sente e vive tudo ao seu redor como se estivesse dentro dele e está. O druidista entende que diferentes religiões e espiritualidades acessam partes diferentes da Verdade Universal e por isso são igualmente válidas em veracidade e valor, cabendo a cada indivíduo escolher qual caminho deseja seguir para satisfazer sua própria busca por conhecimento, compreensão e sabedoria.

Beijo no coração.

Máh Búadach
Druidesa da Tribo do Caldeirão das Ondas (Salvador/BA) e pesquisadora da cultura celta e do Druidismo.

O Livro de Buadach
https://olivrodebuadach.wordpress.com

Espiral das Deusas Celtas
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