O Testamento de Morann

Aqui começa o testamento de Morann mac Máin a Feradach Find Fechtnach mac Crimthan Nia Náir. Ele era o filho da filha de Loth mac Derelath dos pictos [Baine]. Sua mãe levou-o em seu ventre depois que as tribos vassalas haviam destruído os nobres de Ériu, exceto Feradach no ventre de sua mãe. Depois disso, ele retornou com exércitos e Morann enviou-lhe este testamento:

Ergue-te, avança,
Ó meu Neire habituado a apregoar:
A virtude da obediência te faz conhecido.
Zelosa a jornada que empreendes:
Proclama, aumenta a verdade.
Justas e duradouras,
Minhas palavras antes de minha morte
Trazem-lhe a virtude da retidão
Que cada soberano deve ter.
Se passares por qualquer outro rei,
Peso-as para a proteção de minha família.

Se fores a um rei,
Corre para Feradach
Find Fechtnach.
Bom, vigoroso,
Governará por longo tempo
No assento da plena soberania.
Expulsará muitas tribos
De ladrões para o mar.
Ampliará sua herança,
Cheio de bravura.
Que ele guarde meu conselho que se segue.
Dize-lhe antes de qualquer outra palavra,
Apresenta-lhe com cada fala esta perene justiça.

Que ele preserva a verdade, ela o preservará.
Que ele engrandeça a verdade, ela o engrandecerá.
Que ele exalte a clemência, ela o exaltará.
Que ele cuide de suas tribos, elas cuidarão dele.
Que ele ajude suas tribos, elas o ajudarão.
Que ele conforte suas tribos, elas o confortarão.

Dize-lhe: é por meio da verdade do soberano que pragas e terríveis raios são afastados do povo.
É por meio da verdade do soberano que este avalia grandes tribos e grandes riquezas.
É por meio da verdade do soberano que este assegura a paz, a tranquilidade, a alegria, o bem-estar, o conforto.
É por meio da verdade do soberano que este rapidamente envia grandes exércitos às fronteiras de vizinhos hostis.
É por meio da verdade do soberano que cada herdeiro crava o pilar de sua casa em sua justa herança.
É por meio da verdade do soberano que se provam as farturas das grandes árvores frutíferas de extensas florestas.
É por meio da verdade do soberano que é mantida a produção de leite do numeroso gado.
É por meio da verdade do soberano que há abundância de todo grão alto e farto.
É por meio da verdade do soberano que uma profusão de peixes nada nos rios.
É por meio da verdade do soberano que belas crianças são geradas.

Dize-lhe: uma vez que ele é jovem, seu governo é jovem.
Que ele observe o cocheiro de uma velha carruagem. Pois aquele que dirige uma roda antiga não dorme. Olha para frente, olha para trás e para a direita e para a esquerda.
Ele observa, defende, protege, de forma a não romper por descuido ou ímpeto os aros das rodas que sob ele correm.

Dize-lhe: que ele não enalteça juiz algum, a menos que conheça os verdadeiros precedentes legais.

É por meio da verdade do soberano que todo homem de arte obtém a coroa do conhecimento. Depois disso, ele se sentará para ensinar a boa lei à qual se tem sujeitado.
É por meio da verdade do soberano que as fronteiras de cada verdadeiro senhor expandem-se de modo a cada vaca alcançar o fim de seu pasto.
É por meio da verdade do soberano que cada peça de roupa é obtida para ser admirada pelos olhos.
É por meio da verdade do soberano que cercados de proteção para o gado e para todos os demais bens ampliam-se.

É por meio da verdade do soberano que três imunidades contra o abuso em cada assembleia protegem todo senhor contra os conflitos da discórdia durante seu magnânimo governo. A primeira imunidade são as corridas de cavalos nas assembleias. Sua segunda imunidade é abrigar uma foça militar. A terceira imunidade é a regalia da taverna com amigos e a grande fartura de rodadas de hidromel, onde o tolo e o sábio, conhecidos e estranhos embriagam-se.

Dize-lhe: que ele não tinja de vermelho muitos vestíbulos, pois o derramamento de sangue é uma destruição inútil de todo preceito e da proteção de qualquer família para o governante.

Dize-lhe: que ele não ofereça nenhum mútuo préstimo que lhe seja obrigatório, que ele reforce qualquer vínculo a que tenha de comprometer-se, que ele livre sua face da vergonha por meio das armas em batalha contra outros territórios, contra os juramentos deles, contra suas defesas.

Dize-lhe: que ricos presentes ou grandes tesouros e lucros não o ceguem ao fraco em seus sofrimentos.

Dize-lhe: que ele avalie as criações do criador que as fez tal como foram feitas, pois nada que ele não julgar consoante seus benefícios não lhes dará completo aumento.
Que ele avalie a terra por seus frutos.
Que ele avalie o teixo por seus artigos bem feitos.
Que ele avalie o gado por seu renome nas feiras de inverno.
Que ele avalie a produção e laticínios por seu crescimento.
Que ele avalie as plantações de cereais por sua altura.
Que ele avalie os rios pela pureza de suas águas.
Que ele avalie o ferro por suas qualidades nas disputas das tribos.
Que ele avalie o cobre por sua firmeza e força e espessos artefatos.
Que ele avalie a prata por sua durabilidade e valor e alvos produtos.
Que ele avalie o ouro por seus admiráveis ornamentos exóticos.
Que ele avalie o solo por seus trabalhos de onde o povo pode pretender frutos.
Que ele avalie os carneiros por sua lanugem que é escolhida para as vestes do povo.
Que ele avalie os porcos pela gordura de seus lombos, pois é libertadora da desonra de cada face.

Que ele avalie os pelotões de guerreiros que acompanham um verdadeiro senhor, pois o governo de seu séquito pertence a cada rei; nada que ele não julgar de acordo com suas vantagens não os convocará com total proveito.
Que ele avalie pessoas que não são livres e grupos servis; que sirvam, que forneçam suprimentos, que avaliem, que o dêem em retribuição aos legítimos dons do soberano.
Que ele avalie anciãos nas posições de seus ancestrais com abundantes benefícios de consideração.
Que ele avalie pais e mães com benefícios de apoio e zelosa perseverança.
Que ele avalie a paga de cada artífice pelos fortes produtos e objetos bem feitos.
Que ele avalie o direito e a justiça, a verdade e a lei, o contrato e regulamento de cada regente legítimo em relação a todos os seus clientes.
Que ele avalie o adequado preço da honra de cada categoria de homens livres e da nobreza.
Tenho falhado, sou obrigado a corar.

Ergue-te, avança,
Ó meu Neire habituado a apregoar.
A Feradach Find Fechtnach,
Anuncia-lhe o apogeu de minhas palavras.

A escuridão leva à luz,
A aflição leva ao júbilo,
Um imbecil leva a um sábio,
Um tolo leva um douto,
Um servo leva a um homem livre,
A inospitalidade leva à hospitalidade,
A avareza leva à generosidade,
A mesquinhez leva à liberalidade,
A fúria leva à serenidade,
O motim leva à obediência,
Um usurpador leva a um verdadeiro senhor,
O conflito leva à paz,
A falsidade leva à verdade.

Dize-lhe: que ele seja clemente, justo, imparcial, escrupuloso, constante, generoso, hospitaleiro, honrado, equilibrado, benéfico, hábil, honesto, cortês, confiável, um julgador preciso.

Pois há dez coisas que aniquilam a injustiça de cada soberano. Guardai-vos de não as cometerdes, cuidado com tudo, ó governantes! Proclama as dez que indico: ordem e mérito, fama e vitória, descendência e parentes, paz e vida longa, boa sorte e muitas tribos.

Dize-lhe: ele pode morrer, ele morrerá; ele pode partir, ele partirá; como ele tem sido, como ele será, tal é o que se declarará. Ele não é um soberano a não ser que realize esses feitos.

Dize-lhe: há somente quatro soberanos. O soberano verdadeiro e o soberano astuto, o soberano de ocupação com exércitos e o soberano-touro.

O soberano verdadeiro, em primeiro lugar, inclina-se a toda boa coisa. Sorri com a verdade ao ouví-la, exalta-a quando a vê. Pois aquele cuja existência não a glorifica com bençãos não é um soberano verdadeiro.
O soberano astuto defende fronteiras e tribos, estas lhes entregam seus valores e tributos.
O soberano da ocupação com exércitos do exterior: suas forças vão embora, desconsideram suas necessidades, pois um homem próspero não se volta para fora.
O soberano-touro golpeia e é golpeado, repele e é repelido, erradica e é erradicado, persegue e é perseguido. Contra ele sempre há mugidos com chifres.

Ergue-te, avança,
Ó meu Neire habituado a apregoar.
A Feradach Find Fechtnach,
Um nobre, poderoso soberano,
A cada governante que em verdade governa.
Que ele mantenha minhas palavras,
Estas o conduzirão à vitória.
Meço-as para a proteção de minha família.

Do Lebhar Laighneach (Livro de Leinster), antigamente conhecido como:
Lebar na Núachongbála (Livro de Nuachongbáil)

Bellouesus Isarnos
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