Táin Bó Cúailnge

O Ataque às Vacas de Cúailnge – Introdução a “Conversa do Travesseiro”.

Aqui começa o Ataque às Vacas de Cúailnge.

Certa vez, quando Ailill e Medb tinham estendido seu leito real em Cruachan, a fortaleza de Connacht, tal foi a conversa de travesseiro que ocorreu entre eles:

Disse Ailill: “Verdadeiro é o ditado, senhora, ‘É uma mulher felizarda aquela que é a esposa de um homem rico'”. “Claro que é”, respondeu a esposa, “mas por quê opinas assim?” “Por isto”, replicou Ailill, ” que tu estás hoje melhor do que no dia em que primeiro te tomei.” Então Medb respondeu: “Bastante próspera era eu antes que jamais te houvesse visto.” “Era uma riqueza, certamente, da qual jamais ouvimos falar”, disse Ailill; “mas a riqueza de uma mulher era tudo o que tinhas e inimigos de terras próximas à tua costumavam carregar o espólio e o butim que tomavam de ti.”

“Não era assim comigo”, disse Medb; “o próprio Grande Rei de Erin era meu pai, Eocho Fedlech (‘o Persistente’), filho de Finn, filho de Findoman, filho de Finden, filho de Findguin, filho de Rogen Ruad (‘o Vermelho’), filho de Rigen, filho de Blathacht, filho de Beothacht, filho de Enna Agnech, filho de Oengus Turbech. Filhas ele tinha seis: Derbriu, Ethne e Ele, Clothru, Mugain e Medb, eu mesma, que era a mais nobre e graciosa delas.

“Eu que era a mais generosa delas em liberalidade e dar presentes, em riquezas e tesouros. Eu que era a melhor delas em batalha e luta e combate. Eu que tinha quinze centenas de mercenários reais dentre os filhos de forasteiros exilados de suas próprias terras e muitos mais dos filhos dos homens livres da terra. E havia dez homens com cada um desses mercenários e nove homens com cada mercenário e oito homens com cada mercenário e sete homens com cada mercenário e seis homens com cada mercenário e cinco homens com cada mercenário e quatro homens com cada mercenário e três homens com cada mercenário e dois homens com cada mercenário e um homem com cada mercenário. Eram esses como um contingente doméstico”, continuou Medb, “por essa razão meu pai me concedeu uma das cinco províncias de Erin, a própria província de Cruachan, motivo pelo qual sou chamada Medb de Cruachan.”

“Vieram homens de Finn, filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’), rei de Leinster, pretendendo-me como esposa, e eu o recusei. E de Carbre Niafer (‘o Campeão’), filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’), rei de Temair, para cortejar-me, e eu o recusei. E vieram de Conchobar, filho de Fachtna Fathach (‘o Poderoso’), rei do Ulster, e eu o recusei do mesmo modo. Vieram de Eocho Bec (‘o Pequeno’) e eu não fui com ele. Pois fui eu quem exigiu um presente nupcial único, tal como nenhuma mulher antes de mim exigiu de um homem dos homens de Erin, ou seja, um marido sem mesquinhez, sem ciúme, sem medo.”

Pois, se ele fosse mesquinho, o homem com quem eu devesse viver, nós estaríamos mal-casados, visto que sou grande em liberalidade e em dar presentes e seria uma desgraça para o meu marido se eu fosse melhor em gastar do que ele e por isso dizerem que eu fosse superior em riqueza e tesouros a conceder, enquanto vergonha não haveria se fosse um tão bom quanto o outro. Fosse meu marido um covarde, seria igualmente inadequado para nós estarmos casados, pois eu, por mim mesma e sozinha, enfrento batalhas e lutas e combates e seria uma mancha para meu marido se sua esposa fosse mais cheia de vida do que ele mesmo e mancha não haveria se fôssemos igualmente corajosos. Fosse ele ciumento, o marido com quem eu devesse viver, isso também não me serviria, pois nunca houve uma época em que eu não tivesse um homem à sombra de outro.

Entretanto, tal marido eu encontrei, tu mesmo, Ailill, filho de Ross Ruad (‘o Vermelho’) de Leinster. Tu não eras sovina, tu não eras ciumento, tu não eras um preguiçoso. Fui eu que te resgatei e dei-te o preço de compra, que por direito pertence à noiva – de roupas, a saber, as vestes de doze homens, uma carruagem valendo o preço de três vezes sete escravas, a largura de tua face em ouro vermelho, o peso de teu antebraço direito em bronze prateado. Quem quer que traga sobre ti vergonha e tristeza e loucura, exigência nenhuma de compensação, nem de satisfação tu possuis então que eu mesma não tenha, mas é a mim que a compensação pertence”, disse Medb, “pois um homem dependente do sustento de uma mulher é o que tu és.”

“Não, tal não era meu estado”, disse Ailill, “mas dois irmãos eu tinha. um deles reinava sobre Temair, o outro sobre Leinster, ou seja, Finn, sobre Leinster, e Carbre, sobre Temair. Deixei-lhes a realeza porque eram mais velhos, porém não superiores a mim em generosidade e abundância. Tampouco já ouvi falar de província em Erin governada por uma mulher, senão esta única província. E por isso eu vim e assumi a realeza aqui como sucessor de minha mãe, pois Mata de Muresc, filha de Magach de Connacht, era minha mãe. E quem poderia haver melhor para minha rainha do que tu mesma, pois eras a filha do Grande Rei de Erin?” “Ainda que seja assim”, prosseguiu Medb, ” minha fortuna é maior do que a tua.” “Eu me admiro com isso”, Ailill respondeu, “pois não há ninguém que tenha maiores tesouros e riquezas do que eu. Sim, até onde sei não há!”

Tradução Bellouesus Isarnos
Assim, considera-te recepcionado, com meus votos de encontrares aqui algo que desperte teu interesse ou, na pior das hipóteses, não te entedie.

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