IV EBDRC: Os Nove Elementos

Na visão céltica observa-se que o centro do mundo era a interligação de si mesmo, a família (tuath) e os Cosmos. O fogo é o elemento mágico que ligava os Três Mundos: Céu, Terra e Mar (ar, solo e água) e que transformava todos os três.

Por sua vez, esses mundos correspondem ao Mundo Celestial, Intermediário (Terra Média) e Submundo, e que estão associados aos Deuses, Espíritos da natureza e Ancestrais.

“Os druidas eram mestres do fogo. Eram eles que criavam as fogueiras rituais e que velavam pelas chamas sagradas dos Deuses. Os druidas não ‘canalizavam’ seus Deuses ou falavam com as vozes de Entidades como fazem os ‘canalizadores’. Os druidas iam a seus Deuses durante os períodos de êxtase, quando eles conversavam e aprendiam com os Deuses. Eles eram capazes de caminhar no mundo dos sonhos e até mesmo no próprio Outro Mundo.” Searles O’Dubhain (tradução: Bellouesus).

O fogo era o centro do mundo celta e do ritual druídico. O fogo, particularmente, o que vem da inspiração sagrada e poética – o Fogo na Cabeça – é conhecido como Imbas (irlandês) ou Awen (galês), um frenesi promovido por estados alterados da consciência, alcançados através da meditação e de práticas xamânicas ou mágicas.

A arqueóloga Dra. Anne Ross relata que os celtas veneravam cabeças como símbolo ligado às divindades e aos poderes do Outro Mundo, sendo a parte mais importante do corpo, o local onde a alma reside.

Esse pensamento indo-europeu nos leva a ideia que o Cosmo é composto por elementos que estão inter-relacionados com a natureza e o homem. Este conceito é identificado em irlandês como “dúile” ou elementos e os seus correspondentes mágicos são:

• Ossos – Pedra
• Carne – Solo
• Pele – Plantas
• Sangue – Mar
• Respiração – Vento
• Mente – Lua
• Rosto – Sol
• Cérebro – Nuvens/Raio
• Cabeça – Céu estrelado

Ao vivenciarmos os nove elementos, construiremos uma ponte entre o visível e o invisível que fluirá de forma poética, entre o corpo físico e o anímico. “O corpo está na alma e esse reconhecimento dá a ele uma dignidade sagrada e mística.” John O’Donohue.

Os dúile podem ser agrupados da seguinte forma:

• Tríade da Terra: pedra, solo e plantas.
• Tríade do Mar: água, vento e Lua.
• Tríade do Céu: Sol, nuvens e estrelas.

“A ‘tríade’ é uma fórmula literária utilizada para a aprendizagem tradicional, que combinou três conceitos e dominou a maior parte da literatura vernacular Celta.” Como afirma a arqueóloga professora Dra. Miranda Green, no livro Símbolo e Imagem na Arte religiosa Celta.

O simbolismo mágico do número três está presente em vários contos celtas, desde o Lebor Gabála Érenn, como: as três rainhas das Tuatha Dé Danann Banba, Fotla e Erin ou as “Três Morrígans” Morrighan, Badb e Macha, no Ciclo Mitológico Irlandês; até no Mabionogion, por exemplo: em “Culhwch e Olwen, conta que Culhwch precisa realizar três vezes a mesma ação antes de casar com Olwen. O número três pode ser intensificado para nove (três vezes três), possivelmente indicando conquista e plenitude.

(Palestra realizada durante o IV EBDRC em Cotia/SP)

Vamos nos aprofundar sobre este tema, juntamente com o druida Endovelicon, no próximo encontro que será realizado nos dias 18,19 e 20 de abril de 2014, em Recife. Informações: V EBDRC – 2014.

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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"Três velas que iluminam a escuridão:
Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.